Tributo a CHARLES BAUDELAIRE
Org. ALESSANDRO ZIR
Marcel Proust
Uma doença grave me impede infelizmente de lhe apresentar, não digo nem um estudo, mas um simples ensaio sobre Baudelaire. Em falta de algo melhor, limito-me a algumas observações. Lamento tanto mais por considerar Baudelaire — com Alfred de Vigny — o maior poeta do século XIX. Com isso não quero dizer que, se devêssemos escolher o mais belo poema do século XIX, é em Baudelaire que deveríamos buscá-lo. Não creio que em Fleurs du Mal, nesse livro sublime mas escarnecedor, em que a piedade sorri dissimulada, em que a depravação faz o sinal da cruz, em que o cuidado de ensinar a mais profunda teologia é confiado a Satã, se possa encontrar um poema igual a Booz endormi. Toda uma era da história e da geologia aí se desenvolve com uma amplitude que nada contrai nem detém, desde “A terra ainda molhada e laxa do dilúvio”, até Jesus Cristo: “Em baixo um rei cantava, no alto morria um Deus”…
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revista triplov
SÉRIE VIRIDAE / 03 / CHARLES BAUDELAIRE
Portugal / Dezembro 2021