TRIPLO II

Órgão de Informação Cultural da Revista TriploV

ÂNGELA BATTU, GRÃO-MESTRE DA MAÇONARIA FLORESTAL CARBONÁRIA, EM ENTREVISTA PARA O TRIPLOV

ÂNGELA BATTU, GRÃO-MESTRE DA MAÇONARIA FLORESTAL CARBONÁRIA, EM ENTREVISTA PARA O TRIPLOV

TriploV – Ângela Battu, ou Anita Garibaldi, seu nome simbólico, você é atualmente Grão-Mestre da Maçonaria Florestal Carbonária do Brasil. Gostava que comentasse o fato, atendendo a que raras ordens maçónicas são andróginas, permitindo a homens e mulheres participar no ritual, e a que a maioria delas nega a entrada de mulheres nas suas lojas.

Ângela Battu – Pois é, assumi em 2009 o grão-mestrado e acho que já estava na hora de algo mudar. É inconcebível existir ainda preconceito contra as mulheres em pleno século XXI. Ontem tivemos eleições aqui no Brasil e você viu quem venceu. Pela primeira vez, existe no Brasil um Presidente da República mulher. Isso demonstra que a situação está mudando e ainda tem de mudar mais quanto ao lugar que a mulher ocupa.

TriploV – Como é que você concilia as suas tarefas como Grão-Mestre com as de esposa e mãe de três rapazes em idade escolar?

Ângela Battu – É meio complicado, mas a gente sempre tem de dividir e procurar conciliar as tarefas domésticas com as maçónicas. Como Grão-Mestre venho trabalhando na forma de mudar um pouco e tornar mais conhecida a presença das mulheres na Maçonaria.

TriploV – Você acha que as mulheres têm pouca visibilidade, é isso?

Ângela Battu – Acho que os maçons em geral têm de rever seus conceitos a respeito da Maçonaria, e em concreto a situação das mulheres. Se temos tantas mulheres importantes, ocupando cargos tão altos como o de Presidente da República, porque é que não podemos tê-las também na Maçonaria?

TriploV – Do seu ponto de vista, quais são os principais objetivos da Carbonária?

Ângela Battu – O principal objetivo é fazer com que o ser humano se torne melhor. As pessoas estão se isolando, vivendo de modo individualista. Cada uma vive para si, não existe convivência nem afeto. Então o mais importante objetivo é criar essas relações de afeto e solidariedade entre os seres humanos, para não se isolarem. É preciso olhar para o próximo para nos tornarmos melhores.

TriploV – Ângela, desde há um tempo, você deixou Santa Felicidade, em Curitiba, para vir viver bem no meio da Mata Atlântica, neste Castelo dos Carvoeiros, em Campo Magro. Como é viver no meio da floresta?

Ângela Battu – Olha, é meio difícil, viu? Antes eu vivia num lugar onde tinha tudo, loja, farmácia, padaria… Agora fico dependendo de carro para tudo. Mas eu gosto de viver na floresta, gosto do silêncio, dos pássaros, de os ouvir. É relaxante. E tenho as árvores, que são o símbolo fundamental da Maçonaria Florestal. É, veja só: as bracatingas, as caneleiras, os pés de bananeira, os pinheiros do Paraná…

TriploV  – Ângela, quais são teus projetos para a Carbonária de modo geral?

Ângela Battu – Tenho vários projetos para a Carbonária do Brasil. Primeiro, construir o novo templo, com capacidade para 300 Carvoeiros, reiniciando as obras que estavam paradas. Penso construir uma quadra de esportes e um abrigo para menores abandonados, com refeitório, alojamento, escola em tempo integral, um posto de saúde para atender à comunidade. E penso ainda promover um conciliábulo internacional de Maçonaria Carbonária e Alveneira  para promover a integração dessas duas correntes.

TriploV – Se é o que pretendes… Eu não gosto da ideia de integrar as duas, prezo a independência… Mas continua, diz qual é o teu programa…

Ângela Battu – Também desejo, junto de meu marido, transformar a cidade de Campo Magro, que é a sede e forum  da Alta Venda Carbonária Universal,  lançando ele na política local e, com o seu desempenho, erguer o memorial da Carbonária, um obelisco em referência à Maçonaria Florestal.

Sei que esses projetos serão um desafio, mas temos uma grande expectativa nas adesões de muitos irmãos de outras Ordens, insatisfeitos, que migram neste momento para a Carbonária. Certamente, pelo volume dessa massa, poderemos realizar todos os intentos. Uma prova disso é que em seis anos, construímos o Castelo dos Carvoeiros, aprovamos uma Lei criando e homenageando a Rua dos Carbonários (a segunda no mundo) e, recentemente, conseguimos construir o Portal da Maçonaria Florestal junto à sede, que homenageia a heroína dos dois mundos, Anita Garibaldi.

TriploV – Vamos mandar fotos para o Triplo II – O Blog do TriploV que mostram o Portal Anita Garibaldi, homenagem também a ti, pois esse é o teu nome simbólico. Muito obrigada pelas tuas palavras e pelo carinho com que me recebeste em tua casa, esse castelo que espero acabe de ser construído em breve.

Ângela Battu – Com a ajuda do Sagrado Mestre do Universo, e dos Bons Primos unidos, nada nos é impossível!

Entrevista de Maria Estela Guedes

Fotos de Nikollas Battu

FOTOS – Legendas

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Ângela Battu e Maria Estela Guedes, no terraço do Castelo dos Carvoeiros.

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Ângela Battu e Nikollas, um dos filhos, autor de algumas das fotos aqui mostradas.

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Ângela e os dois filhos mais novos, Nikollas e Patrick, descendo a rampa entre o Castelo dos Carvoeiros e o Portal Anita Garibaldi, sobre o rio Passaúna, na Mata Atlântica.

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O templo de madeira, antigo, e o Castelo dos Carvoeiros, ainda inacabado.

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O Portal Anita Garibaldi, inaugurado a 1 de Novembro. À frente, da direita para a esquerda: Patrick, Ângela e Walmir Battu, e Maria Estela Guedes.

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Um cavaleiro medieval guarda o portão do Castelo dos Carvoeiros.

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Curitiba, Castelo dos Carvoeiros, 1-2 de Novembro de 2010

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Category: Geral Blog