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TEATRO NACIONAL
(Lisboa)
Nota sobre a "Menina Júlia"

Fomos ver a "Menina Júlia", de Strindberg, com tradução de Augusto Sobral, encenação de Rui Mendes, cenografia de Manuel Amado e Ana Paula Rocha, figurinos de Ana Paula Rocha, luz de Carlos Gonçalves, música original de Rui Rebelo, e com Beatriz Batarda, Albano Jerónimo e Isabel Abreu nos papéis principais.

A peça agradou-nos muito: a encenação é boa, o visual - com figurinos, iluminação e cenário - é clássico, discreto, elegante. A representação é perfeita. Tudo nos encantou, excepto o texto de Strindberg, que fica muito aquém das expectativas que gera de início, com uma heroína a quebrar os tabus (seduz o criado e perde a virgindade na conquista) de uma sociedade aristocrática decadente, a sugerir as revoluções trazidas ao mundo com a emancipação da mulher, a começar pelo direito ao voto político. Todas estas expectativas se esboroam, ao chegarmos a um final em que o suicído é a única saída. A força da heroína transforma-se em confusão psicológia e é disso afinal que se alimenta a história: como vamos sair desta alhada?

Um artista tem à mão inúmeras soluções, desde as realistas às fantásticas, não precisava de ficar pela navalha de barba.

Outra reflexão nos mereceu a peça: notamos que os vários desempenhos têm evoluído muito, é certo que não vamos ao teatro tanto quanto podíamos e gostávamos, todavia é notório que se faz cada vez melhor teatro. Devem certamente estar na base disso as escolas de teatro e cinema.

Finalmente: a sala estava cheia ou quase, o que também denota que há mudanças a atrairem os espectadores.

Maria Estela Guedes

 

 

 

 


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