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Pedro Proença......

DO AMOR E MUITO MAIS OU O ASSENHORAMENTO DOS SONETOS SEGUNDO SONIANTONIA & SANDRALEXANDRA : INDEX

A ROSA E O CAMALEÃO

Esfregava-lhe tocatas na tromba.

Doces dedos deslizaram delicadamente para concordias injuriantes.

Beijo a bordo.

Rubor. Jovens jogadores de basebol. Salsaparrilha. Queijo da serra. Agrado. Òsculo. Oculos escuros. Gin tónico. Grande gaiteira!

Lascívia pode ter luva mas não tem lexívia.

Selvagem, extremista, por vezes rude, raramente cruel, isenta de culpas – ela caça-me com razões ousadas (e também rosadas) – como poderia odiar tal barbie.

Em cuecas de rendas sandes de leitão.

A alegria que me propunha chicoteava-me nos sonhos.

As minhas amantes não são como o sol. Eu sou solar quanto basta. Elas são da côr de coral. Ou vermelhas como certos hibiscos. E agradam-me as suas vastas cabeleiras, mesmo nos dias mais quentes de verão escorrendo seus cabelos louros os negros que me fazem cócegas ao longo da coluna vertebral.

Seus peitos são dunas ou torres de babel? Nada disso: são peitos suficientemente jovens. E eu não sou de metáforas semioticas nem de contemplações bíblicas.

A rosa mascara-se de mordentes adornos, e eu dou a cara desadornada aos seus perfumes, militando ferrenhamente nestas estapafúrdias vanguardas.

A sua voz é agradável. E os seus passos são leves. Mas parece que recebem da terra uma lava que transborda toda em mim.

Édipo dito tirano – arrastando-se no invisível, demasiado contaminado pelos deuses. E recordando os amores maternos com precisão machista.

Sempre que digo erro – o desacerto realça os acertos: para auto-estima alheia.

Sou camaleoa no que diz respeito ao amado ente – a minha próximidade é paródica, e parodiando partilho dissidentemente, com mil gemidos e outros tantos risos. Quem camaleia consente-se.

Sítios do Autor

http://www.sandraysonia.blogspot.com/ 
http://juliorato.blogspot.com/ 
http://www.pierredelalande.blogspot.com/
http://www.tantricgangster.blogspot.com/
http://www.budonga.blogspot.com/
http://www.renatoornato.blogspot.com/
PEDRO PROENÇA. Nascido por Angola (Lubango) pouco depois de rebentar a guerra (1962), veio para Lisboa em meados do ano seguinte, isso não impedindo porém que posteriormente jornalistas lhe tenham descoberto «nostalgias» de Áfricas. Fez-se rapaz e homem por Lisboa, meteu-se nas artes e tem andado em galantes exposições um pouco por todo o mundo, com incidência particular no que lhe é mais próximo. O verdadeiro curriculum oficial mostra muita coisa acumulada com alguma glória e devota palha. Tem ilustrado livros para criancinhas e não só, não porque lhe tenha dado ganas para isso, mas porque amigos editores lhe imploraram. Também publicou uma estória entre as muitas de sua lavra (THE GREAT TANTRIC GANGSTER, Fenda, em edição que, por estranhos motivos, foi retirada de circulação), um livro muito experimental de ensaios (A ARTE AO MICROSCÓPIO, também da Fenda) e um grosso livro de poemas comentados com imagens (O HOMEM BATATA, editado pelo Parque das Nações). Compõe, mediocramente, musica no seu computador, e é um yogui quase consumado.
 

Pedro Proença. Born Lubango, Angola, 1962. With an exhibition in the Roma e Pavia Gallery in Oporto, at the end of the 80's he begins, a cycle of installations which have continued until today, and make up a work in progress. These works, which use such poor materials as indian ink drawings on paper, are structured according to previous architectures or constructions which emphasise the multiplication of the dynamic planes of framing. In this decade he has exhibited paintings which complement these installations, aiming at serialising the "plurality of the subject", and permanently responding to questions in the artistic field (current ones or uncurrent ones), to which he cannot remain passive. As it is known that he is also engaged in a literary activity which is beginning to be published, his works should be seen as a coming-and-going within this controversial space which confronts images with words, either as "allegorical appearances" or as "narrative possibilities".