As nossas vida são um ram-ram. Acordamos exaustos e deitamo-nos exaustos, com empregos que nos deixam exaustos, pessoas com as quais temos de trabalhar que nos deixam exaustos, outras com quem privamos que nos esgotam. Parece, às vezes, que que fomos votados à exaustão na mais penível das formas. Acontece, que noutro dia, falava com uma das minhas amigas - já no segundo divórcio - que está apaixonada de novo. Nisto de amores somos o oposto: ela corre no sentido oposto ao amor - por pânico - e eu corro no sentido contrário - por inconsciência, mas sobretudo porque sou uma apaixonada nata, nem que seja por um só dia. Esta crónica é dedicada a todas as pessoas que, como a minha amiga fogem do Amor. Ok, faz-nos tontinhos, dizer e fazer coisas sem nexo, rir e chorar como se fôssemos bipolares, faz tão bem quanto uma massagem ayurvédica e tão mal como a pior das quedas. E é por isso que muita gente foge da paixão e do amor como o Diabo da Cruz. Tenho cá para mim, que Deus inventou estas duas engenhocas para ver de que fibra somos feitos para dar vida aquele célebre ditado “Deus não nos dá um fardo maior do que aquele que podemos carregar”. Não é a vida profissional que mostra a fibra de que somos feitos e a nossa força. Não. O que mede a nossa força é a capacidade de entrega ao Amor e à Paixão. São enormes riscos. Esgotantes. E nós andamos cansados, sim. Mas eu cá acho que o Amor é a suprema exaustão, daquelas pela qual vale a pena passar. Simples: Amar é viver. Já agora, têm vivido ultimamente?
In: Destak, 2007 |