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::::::::::::::::::::::::ANA ANES:::::::::
Lunch at Opus Dey

Trá lá lá láá, uma hora e meia de estrada a caminho de uma quinta perto de Lisboa, cujas indicações vinham escritas num mail cujo remetente era de alguém do Millenium BCP. Por acaso, apenas por acaso. Só os “baixinhos”- como se diz nos círculos esotéricos - acham que nada é por acaso. E eu, por um mero acaso, sou filha do meu pai, por um meríssimo acaso não acredito em Cristo e muito menos na Igreja Católica, mas fui baptizada - assim o Universo conspirou - sem qualquer direito a opinanço aos 8 anos, porque a minha avó Esther assim o quis com medo de que o castigo de Deus se abatesse sobre mim ( não serviu de nada, diga-se). Não foi um mal por aí dos grandes: para mim, borrifarem-me com umas gotas de Água Benta ou com spray de Fabulon me dá igual, a não ser que me caia o segundo nos olhos e aí é que desato numa choradeira, qual bébé em dia de redenção perante o Senhor.

O mais giro destas coisas, destes almoços todos larocas com mesas à beira do court de ténis, é que eles não sabem que nós sabemos o que eles são e eles acham que nós somos apenas... aquilo que parecemos, isto é, simples hereges. Uns desviados que não seguem a palavra do Senhor e que não vão à missa todos os domingos com o Salvador, a Mariana, a Maria, a Madalena, e o Martim todos a tiracolo. Claro, que fiquei pendurada com a série de beijinhos - só 1!!!! Como me pude esquecer???! - qual indiana duma casta inferior e, aí sim, denunciei-me logo. Não era uma deles. Era “umazinha” que tinha ido parar ali “por mero acaso”. (James Redfield, volta, estás perdoado!).

Continua o festim e a herege já de favaios na mão, como substituição dos químicos que tinham ficado na outra mala em Lisboa ( tudo é mais fácil de aguentar, com uma ajuda de uns químicos potentes, já se sabe). Mais gente a chegar. Parecia um rebanho da Façonnable: eles de aliança ( grossa, bem grossa - mal sabem eles (ou sabem?) que estas é que deixam as mulheres (dos outros) doidas para dar uma “perninha”?), Swatch Scuba para dar um ar jovial que nunca conseguirão ter ou então Franck Muller’s nos mais novos para dar um ar de graúdos, camisa às riscas, calças beige, e “last but not least”, o fiozinho com a santa(o) devoto do senhor em questão. Bingo! Esta malta, encontra-se em Fátima, na missa em Campo de Ourique, e vão a retiros para se reproduzirem como fungos, porque o preservativo é para os “baixinhos”.

O melhor da festa: as senhoras e crianças (nota importante: no convite dizia para não trazerem crianças... e eu sem saber porquê. Ora que mal faz um miúdo ou outro de 6 seis anos ali no meio de gente graúda?! Dá-se-lhes uma X-Box e eles ficam imobilizados durante uma eternidade, diz-me a experiência alheia) que começam a chegar como que transportadas em carrinhas de colégio, aos magotes, aos molhos. A equação é simples: por cada mulher, doravante designada por “parideira”, vêem 3 “piolhos” anexados, qual Kuala com os filhos na bolsa marsupial. Só que estes “bichos” têm um ar muito mais estragado, começaram a procriar mais cedo do que os cães da minha jardineira - é verdade, que não aleatoriamente... quer dizer... não ponho as mãos no fogo) e os Salvadores, as Marias são de todas as idades e parecem Umpa-Lumpas não estivessem vestidos da mesma maneira e se tratassem entre si por “você”. Toda a gente foi a Fátima, as mulheres que tiraram cursos de direito são agora fulgurantes parideiras e mães a tempo inteiro e não param de falar de (alto) dos afazeres domésticos. São todas pró gordinho - qual barrigas de freiras - têm um ar desleixado, mãos e pés por arranjar desde que nasceu o primeiro rebento, porque isso mostra o quão super-mães são e assim não há dúvidas: São mães, não são mulheres. Estas “ bolachas andantes” são super-parideiras e sabem tudo sobre partos, leite e ben-uron’s para dar aos miúdos quando estão com febre. Acham as tosses normais, as febres, as quedas das crianças. Também eu acharia, ao fim do sexto filho. Sim, seis. E dois é o consumo mínimo de entrada neste clube privado onde as actuais mães, outrora mulheres, não fazem “nada” e os pais babados e maridos distantes são todos quadros do BCP. Como dizia uma mãe para outra “esse fio, o que são as iniciais?”. “Ah, são as iniciais dos meus seis filhos, o Salvador, a Maria, a Joana....”. E depois lá foi ela, dar uns tiros aos pratosque, entre esta malta, há mulheres parideiras-guerreiras. No sentido mais literal da coisa.

Blog de Ana Anes:
http://www.je-suis-snob.blogspot.com/

 

 

 

 




 



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