Ó Saudade das trevas que hoje são luz. Ó Saudade do silêncio que é hoje canto.
Ó Saudade de nada que é hoje tudo. Ó Saudade da criança que eu hoje sou.
Canto porque fiquei em silêncio. Vejo já que na escuridão me perdi.
Sou porque sei. Cresci já que parei.
E tudo é assim para que sem remédio as trevas o silêncio e o nada sejam dentro de mim.
27 de Janeiro de 1995 [Primavera de 2001]
António Cândido Franco Estâncias Reunidas 1977-2002 Edições Quasi 2002, Lisboa
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