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APENAS QUESTÃO DE GOSTO
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Capítulo 17 |
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Costumava dizer a madame dos embeurrées d’escargots, entre o champanhe e os licores, que o que mais encafifou o doutor Freud de um tal de Jacques Lacan quando ele montou nas Leis Siamesas de Bem Cavalgar Qualquer Hipótese e mandou ver aquela da mulher e da relação sexual não existirem, não foi o putedo marginal de Paris ter impetrado mandado de segurança contra a distorção da via-de-regra, foi a mulher do próprio enguia catrapus dizer a todo mundo que era anjo. E tinha razão a senhora. Sexo de anjo todo mundo fala e ninguém faz. Eu não conheço o doutor Freud desse tal de Jacques Lacan, mas uma coisa digo e repito. Não quero nem conhecer. Um gabiru que diz que a mulher e a trepada não existem não merece nem ser batizado. Pensa bem. Pior do que negar a Sofia Loren do banho da Cleópatra ou a Marilyn Monroe do calendário, só mesmo quem bota banca doutoral e afirma que neném vem de Paris pendurado em bico de cegonha e a porra do esguicho é só leite condensado. Mas tudo bem. Cada um tem a sua própria manjedoura e as Leis Siamesas de Bem Cavalgar Qualquer Hipótese estão aí para serem montadas até mesmo por quem tem mulher que se diz anjo. Além do mais, se nem O Grande Cidadão e a Lenda do Cururu Voador for indicado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, nem o meu sonho puder consumir seja o que for, como é que a mulher e a trepada não existem entrou na história dos anzóis? Só de raiva e de penetra. E de penetra, assim, que só o banho da Sofia Loren e o calendário da Marilyn Monroe já mataram a pau qualquer distorção ideológica. Afinal, não seria um tal de doutor Freud que botaria a minha solução na ponte dos suspiros. Se bem que, solução, já lá dizia meu velho pai e dizia muito bem, é que nem vontade de coçar. Arruma quem coce e nem lembra mais da coceira. Claro que eu não ia coçar as dermes conjuntivas que o stand-in Zé Cebola passou no ferro dos conformes. Mas que ia dar uma de vaice-virsa, disso nem eu próprio duvidava. E dei e deu certo, e todo mundo ajoelhou no altar de Nossa Senhora dos Remédios, que não é só de penicillium ou de simillimum que vivem os coveiros dos micróbios, como pensa muita gente boa que sempre acende duas velas. Mas nem de vela precisou, que a nossa muito mais do que querida Florismália, chamada às falas e à vista de 3.511 marechais batendo continência num cheque ao portador valendo cinco mil dólares no aqui e no agora, nem pestanejou. Lembra de O Império dos Sentidos, aquele kama sutrão japonês, que só no Brasil esteve proibido anos miles e não teve confessor da catedral de Brasília que não abiscoitasse o maior jabaculê pirateando cópias no grito das esquinas do pecado? Pois o que o casal dos sentidos fez no império do vai firme foi pinto, comparado com o que a nossa muito mais do que querida Florismália fez no pé-direito do quadrado da largura. Entrou direto na cena mais dramática e em meia dúzia de átimos as iscas dos anzóis já levantavam Concordes suficientes para engabelar o mais apurado microscópio do nº 5 do Chanel. E as medalhas dos 3.511 marechais do cheque do milagre pesaram tanto no dramatismo da cena, que não teve chega, chega, que botasse freio no esguicho. Com um vai-vai capaz de botar até olho de água na poeira do deserto, não deu outra. A mangueira entrou em função de e o zoom da minha Nikon pegou até a trilha sonora do orgasmo na pior intenção dos decibéis. Não é para me gabar, não, mas se as trinta e seis 15 x 10 depois do suadouro não botassem os acostamentos da Lassie à la Nunca Fui Santa no balanço, então o meu sonho de consumo não merecia o menor dos consumismos. Com a maquiagem do Turbo do meu Porsche e o Ballantine’s da minha digestão garantidos no mínimo até o cavaleiro da Távola Sempre-Em-Cima-Do-Muro fazer de conta que ia dar uma descida, e o consumo do meu sonho ainda catucando nos baixios, foi a vez de gregos e troianos juntarem os times na avenida e botarem o samba no pé dos entendidos. Que isto de fazer favores a convertidos ai meu Deus, como sempre dizia meu velho pai e dizia melhor do que ninguém, é que nem tirar ovo de cu de galo. Dá calo. E eu não tinha ido a Caxambu calejar nenhuma derme. E mesmo que tivesse, se 3.511 marechais tinham batido continência ao dramatismo da nossa muito mais do que querida Florismália, quantas estrelas se deviam perfilar no pragmatismo do ex-taifeiro da marinha do Tio Sam pago em dólar? Fácil. Simples conta conversiva daquele cardeal heil-heil dos mosqueteiros da Lana Turner: um por dez e dez por um. Arrematando as intenções, 35.110 marechais era uma conta bem redonda e arredondava bem as minhas necessidades mais urgentes. E não precisou nem de conversa, que o silêncio pós flash falou mais do que arrependimento antes do banho. Afinal, 35.110 continências para salvar a honra do cinema nacional e a continuidade dos pagamentos do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, não era nada que espantasse um deputado habituado a beliscar os orçamentos. E, para me dar razão, muito mais tinha cobrado o barbudo Pedro Álvares para descobrir o Brasil e deu a merda que deu. Mas cada um conforme cada um, como disse o velho Abílio Quitandeiro, meu falecido tio e padrinho, a alma lavada na lua cheia antes da morte, naquele domingo 19 de fevereiro de 1984, plantão do anjo Sealiah e dos santos Conrado de Placência, Mansueto, bispo e confessor, Marcelo, mártir, Públio, Gabino e Bonifácio, com os 9 x 0 que o Vascão enfiou no Tuna Luso Brasileira, campeão paraense de 1983. Com o cheque no escaninho-confissão da carteira das missões, o Rom. 12:19 picou os negativos das trinta e seis 15 x 10 de dar inveja em dono de motel e a descarga da privada se encarregou do cantochão gregoriano. Com umazinha à la coelho partindo em busca de outras liberdades e o dramatismo da nossa muito mais do que querida Florismália fervendo no caldeirão das despedidas, nem senti os alfinetes e as agulhas que o zambaísmo do fundo da banheira japonesa mandou ver em cima do meu saco. E não era para sentir mesmo, que o Ximu só largou o Cruz! Cruz! Cruz! quando a descarga do banheiro afogou o último grito de O Canto da Nossa Terra e tudo voltou a ser como dantes num tal de quartel de Abrantes, que eu nem sei onde é que fica. Metida a cenoura da umazinha no ponto final da conversa, adeus Caxambu, grande tambor de origem africana usado na dança do mesmo nome, e vamos ver qual é o compasso do batuque nas praias cariocas. Se a Raiolinda, aquela Lassie à la Nunca Fui Santa, é mesmo a luz mais linda que emana de um foco luminoso e segue uma trajetória reta em determinada direção. Determinada direção, assim, na direção da minha cama, ou é só uma caneta mais dourada do que o Oscar do Rocky, Um Lutador, aquela máquina de porrada que os músculos do marombão Sylvester Stallone estrelaram como aperitivo para as futuras firulices do Rambo. Era só uma caneta mais dourada. Mas que olhou as fotos, guardou os negativos, e botou no cheque o mesmo tanto do pé-direito do quadrado da largura do marido. Botou no cheque, mas só. Que foi com o maior sorriso à la kolynos que mandou o consumo do meu sonho caçar cucos no campanário das urtigas. E finis. Finis, mesmo, que já ontem deu no Jornal Nacional: Sem maiores explicações, o cineasta Zózimo Forfait cancelou as filmagens da sua última produção O Grande Cidadão e a Lenda do Cururu Voador, segundo ele um sério candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro do próximo ano. Por isso, quando me contaram que um tal de Thomas Khun disse que a vida não evolui em direção a alguma coisa, mas apenas se afasta de alguma coisa, nesse eu acreditei. E acreditei porque, por mais força que a madame faça, eu quero é distância daquela meleca daqueles embeurrées d’escargots e dos soslaios que já lhe vi pintar no desespero do vem cá. E, depois, quem sabe aquele, ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal, dos nostradamus Chico Buarque e Ruy Guerra, vira cumprimento de mandato e o pó do meu velho pai ainda dá um descanso em paz nessa tal de Serra do Gerês? Quem sabe? |
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CUNHA DE LEIRADELLA Casa das Leiras . São Paio de Brunhais |
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