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APENAS QUESTÃO DE GOSTO
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Capítulo 13 |
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Lembra do meu amigo José Espínola de Morais Sarmento, Mora para os vizinhos do sexto tiro-curto, um chope enxertado num galão de calibrina, duzentos e dez quilos de diâmetro por outros tantos de pé direito, ex-tudo em todos os jornais do Rio de Janeiro e meu cupincha desde que servi o primeiro cafezinho ao delegas da 9ª DP da Rua Pedro Américo? Aquele frila desesperado de qualquer anarfa que lhe pagasse os chopes e as biritas, que cotiava fundilhos e fígados no Café Lamas e equilibrava o morro da Babilônia dos barris de chope e dos alambiques de calibrina no sofá da sala de visitas da mesa do trabalho, afogando cem pelotões de centígrados em quinhentos amazonas de suor depois que o Deutschland über alles, aquela Alemanha acima de tudo do doutor Francisco Campos, o maior heil das arábias brasileiras, o pegou no remoinho da traineira do AI-1? O da única razão do ser humano estar no mundo é saber a razão por quê que está no mundo, e que eu nunca entendi? O da Primeira epístola de São Mora aos Incréus, aquela que tratava da salvação da alma do cinema brasileiro e só não salvou nem intenção de virgem-mártir em porta de motel porque nunca ninguém soube dizer que tipo de alma mais pecava no escuro dos corredores da tal da Embrafilme? Se era quem pegava o dinheiro do filme e tirava férias em Miami ou se era quem aprovava o projeto e também tirava férias em Miami? Não lembra, não? Não lembra nem do Mora dos ponteiros dos relógios e da tal da primeira lei da redundância, que o importante não são os relógios, são os ponteiros, e que ninguém pode descobrir verdades verdadeiras porque não pode mandar as teorias para escanteio? Ainda não lembrou? Pois se não lembrou não vai lembrar e é por isto que o Brasil é o que é. Ninguém está a fim de lembrar merda nenhuma e todo mundo quer é uma conta numerada na Suíça e um apartamento nos toplesses de Miami. E ainda diz que passa fome. Mas o que eu queria falar não era de intenções de virgens-mártires e, muito menos, de toplesses de Miami. O que eu queria falar era de guerras. De guerras, assim, do melhor método de saber quem as ganha ou quem as perde sem ter que entrar na decoreba da história oficial, sempre publicada à custa dos impostos de quem tira minhoca do asfalto e bate palmas compulsórias em todas as paradas militares. Me disseram uma vez os duzentos e dez quilos do diâmetro do tradutor da epístola de São Mora aos Incréus que os americanos, embora não tenham inventado a simplicidade nem a transparência do filó, inventaram a guerra do Vietnã e um tal de general William Westmoreland que também inventou o melhor método de saber se ganhava ou perdia o dia-a-dia do napalm. Chamava-se o ábaco do Pentágono, movido a cabelo escovinha e ferradura bico largo, de body counting, contagem de corpos. Mais corpos inimigos em função de cova rasa, mais vitórias. Menos, sifu. Corpos inimigos, o cacete, cadáveres de povo unido, vietcongava o ex-turista parisiense Nguyen Tat Thanh, também chamado Nguyen Ai Quoc e autoapelidado Ho Chi Minh, o que ilumina. Eu não era ex-turista parisiense e, muito menos, iluminador fosse do que fosse, e o body counting também não entrava nas calorias do meu café da manhã. Mas como nem só por olhar o passaredo se vai ao oculista, que o cisco entra no olho a qualquer hora, comentei com o velho Mora dos Incréus os meus apertos de, vez por outra, não saber nem quantos ovos fritavam no tacho do e agora?, e o única razão do ser humano estar no mundo nem pestanejou. - Meu prezado Sherlock, sabe que são as nossas diferenças que tanto nos aproximam? Enquanto eu quero saber o que todo mundo pensa, você quer saber o que todo mundo faz. - E quê que isso tem a ver? - Nada, como sempre. Apenas que você vai me pagar cem pilas e, enquanto pede ao Joca mais um tiro, eu lhe boto no bolso o mais perfeito problem counting. - Pro o quê? Cem mil por um troço que eu não sei nem o que é? Você tá é doido. - Tou, não, meu prezado. E como saber o que os outros tão pensando me leva a imaginar os seus mais secretos pensamentos, eu sei o quanto é importante pra você uma perfeita contagem, uma perfeita arrumação dos problemas. Por isso, tiremos as cem pilas da jogada e falemos em cento e cinqüenta. - Cento e cinqüenta mil? - Meu prezado Sherlock quem precisa de um bom método para priorizar os problemas que tem não sou eu, ou sou? Isto é coisa que só se usa nos banheiros do Pentágono e, mesmo assim, no maior top secret da paróquia. Quando me contaram que um tal de John McDowel, dizem que membro do Comitê da Câmara Contra Atividades Antiamericanas, considerou que os sorrisos dos personagens russos dos filmes made in Hollywood, antes de uma tal de guerra fria pintar na frigidaire do Pentágono, eram a maior propaganda do bem-bom do regime come criancinha e mandou todo mundo amarrar a focinheira, eu não acreditei. Não acreditei, assim, saber que os jecas russos sempre sorriam nas fotos oficiais antes de tirarem férias compulsórias na Sibéria com as baionetas da KGB enfiadas nos baixios, igual, igual aos nossos jecas batendo palmas nas entradas triunfais dos generais presidentes no bunker de Brasília, isso todo mundo sabia. Até o camarada Ossip Vissarionovitch Stalin, Dzhugashvili na língua georgiocaucasiana da senhora sua mãe, aparava os bigodes no conhecimento da causa, que nem o senador José Ribamar Ferreira de Araújo Costa aparava os dele à la poeta José Sarney na tal da Academia Brasileira de Letras. Agora, dizer que a ponta das baionetas da KGB era a maior propaganda do bem-bom do regime comunista, seria o mesmo que o Chacrinha anunciar no bacalhau do programa que o presidente Costa e Silva gostava mais de estudar a Gramática da FENAME do que fazer as palavras cruzadas do suplemento Gurilândia. O que seria uma deslavadíssima mentira. Mas, gosto de pai da pátria, já viu. É que nem cocô de cachorro no calçadão da fama da Avenida Atlântica. Todo mundo reclama, reclama, mas ninguém bota no lixo. Como eu não era pai da pátria nem tinha as baionetas do bunker de Brasília protegendo o meu cocô, o tal do problem counting me dava um estatus que nem ministro do Planejamento em associação comercial. E mais. Sempre que algum novo cliente, mais metido a besta do que eu, me olhasse que nem os mecânicos dos DOI-CODI olhavam os motores dos coitados da fila da porrada, eu mandaria um problem counting em cima dele e finis. Só a procedência à la banheiro do Pentágono já pesava mais na competência do que os aumentos diários do dólar ou até da gasolina. Isto, porque nenhum dos meus clientes tem problemas de caixa. Que se tiver, pode ser cliente até do rei, que meu não é. Nem morto. - Ocá. Cento e cinqüenta mil. Três tiros curtos chovidos nas cabeceiras dos quinhentos amazonas e trinta marechais atravessaram a rua da minha conta bancária e bateram continência ao melhor sotaque casa-branca deste lado da Baía da Guanabara, e o velho Mora botou na minha mão o ovo do pedido. Um problem counting tão perfeito, que nem mesmo aquela porra daquele vestibular à la Metro-Goldwyn-Mayer & Cia que a Lassie à la Nunca Fui Santa me lascou no civilismo foi capaz de perder o páreo do Jóquei Clube dos Sotaques. Só que a contagem dos meus problemas era, justo, justo, o inverso da que faziam os escovinhas do tal do general William Westmoreland no dia-a-dia do napalm. Mais problemas, sifu. Menos problemas, mais probabilidades de o nº 5 do Chanel entrar na minha cama como eu tenho certeza que hei de entrar no paraíso. Nuzinho da silva e mais feliz da vida do que minhoca em murundu de cemitério. Se, como muito bem dizia meu velho pai, e dizia melhor do que ninguém, miséria pouca é riqueza, o meu problem counting valia mais do que pesava. Com o talho doce do marechal Humberto de Alencar Castello Branco ainda valendo 5.000 cruzeiros novos a quem os tinha na carteira neste 30 de janeiro de 1985, mas só pagando 1,42409569923098832241526630589576 dólares por cada nota e todo mundo sabendo que ao bater da meia-noite na catedral de Brasília o anjo Haaiah e os santos João Bosco, Luísa Albertoni e Marcela de Roma botariam o ministro da Fazenda para remarcar o picolé, o talho doce do marechal amargaria mais do que pinimba de casamento colado a Super Bonder em cama de motel. Como a minha taifeirice se pagava em dólar que nem diária de aspone de ministro em visita oficial às butiques de Miami, os coitados dos 5.000 cruzeiros novos pinicando só 1,42409569923098832241526630589576 por cada dólar eram café pequeno na grandeza do cafezão venha a mim o vosso reino que o nosso já é meu. O meu problema não era o ministro da Fazenda mandar o Banco Central dar uma de Madalena sim, senhor, e fazer com o cruzeiro o que a tal da Academia Brasileira de Letras fez com o general Aurélio Lyra Tavares. Despiu-lhe a farda manda quem pode de ministro do Exército e vestiu-lhe o fardão obedece quem tem juízo dos bois de presépio. O meu problema sempre foi não ter um chefe-de-fila capaz de botar os vamos ver na arrumação da sacristia. Por isso, até que os cento e cinqüenta mil que paguei ao velho Mora não foi preço de calcinha misse mundo em butique de Ipanema. Valeu. Sem o tal do problem counting, o que faria eu em Caxambu com a nossa muito mais do que querida Florismália só podendo dramatizar o colchão da minha cama já alta madrugada e acordando gregos e troianos com aqueles gritos à la virgem compenetrada dos seus deveres ninfomaníacos, ai, eu vou morrer, eu vou morrer, que agora ela tinha dado para anunciar a abertura das comportas dos orgasmos na base da boca do trombone, com o zambaísmo do fundo da banheira japonesa da nossa brilhante figurinista me pegando na canelada e cuspindo no do pé do meu ouvido um froxo filho da puta tão filho da puta que até puta do Mangue teria vergonha de pendurar atrás da porta, com o pinípede me encostando na parede do como vai a matéria ou mandando o Ximu correr atrás e não largar do meu cangote, com as covas-fundas que a estátua do meu eu mandava ver no corredor da suíte do mistério já dobrando o valor da ações da Cia de Cigarros Souza Cruz, e com a Cavilinha batendo o telefone na minha cara com aquele sinalzão de alerta muito mais do que vermelho, bom-dia, Sr. Adauto, passar bem, viu? Era tanto problema, que se não fosse o meu problem counting botar ordem no sermão, o cata-milho do Adauto Simplício mais pareceria o body do general William Westemoreland, que não countingou merda nenhuma e os sobrinhos do Tio Sam tiveram que sair do Vietnã que nem os latin lovers de Hollywood saem das camas dos produtores. Ciscando nos cascos antes que as madames botem a polícia nas bocas dos trombones. Não parecia nada, não parecia nada, mas era troço muito para lá de dedéu. Só ali em Caxambu, além do listão sem mais tamanho, ainda havia o problemão do volume. O que torcia o rabo da porca, aquele que o meu Santo Expedito precisava resolver na maior urgência das urgências, começava nos rolamentos e terminava nas esferas do pescador de robalos. Um volumão à la dobro do quadrado da largura e um peso específico medido a guindastes titanic. Não quero aqui estilhaçar o pau da bandeira dos otimistas de plantão, mas a verdade é que eu estava que nem vaca no brejo. Completamente sifu e mais perdido do que aquele tal do Braile num tiroteio de sinônimos em academia de judô. Pensa bem o drama que era ganhar diárias à la taifeiro da marinha do Tio Sam pago em dólar, ter um túnel que levava a luz do trem até à cama da Lassie, e que talvez também me alumiasse o caminho, dependendo dos badulaques que acolchoassem o arame farpado da cerca dos lençóis, e tudo isso depender de um detalhe menor do que cagada de mosca em véu de noiva? Apenas saber onde o pinípede escondia os guindastes titanic. Tão bem malocados que nem os meus binóculos de ex-tira e suposto sustentáculo da ordem constituída e ex-catador de bicharada perdida no Aterro do Flamengo e encruzilhadas circundantes conseguiam enxergar. Era ou não era para endoidar o mais tranqüilo zagueirão do São Cristóvão de Futebol e Regatas em dia de Maracanã com Flamengo? Dizem que o que mais deprimiu o Ministro das Relações Exteriores da catedral de Brasília não foi o físico Stephen Hawking afirmar que se uma borboleta bater asas em Tóquio pode mandar chover em Nova York, foi a Nova Guiné ter borboletas com asas de 28 centímetros e, por falta de relações diplomáticas, nenhuma delas mandar chover no nordeste brasileiro. Eu nunca me fissurei em borboletas, a não ser nas dezenas 13, 14, 15 e 16 do quarto grupo da minha loteria preferida, e essa tal de depressão também é vinagre que nunca me azedou os rabanetes. E mais. Como não pretendo ser ministro nem de associação paranormal e aqueles anos e anos catando bicharada perdida me obrigaram a tirar mais minhoca do asfalto do que células cinzentas o Hercule Poirot botava na cera dos bigodes, quero é que a depressão de Sua Excelência e a bigodeira do Hercule vão pajear ovençais no campanário das urtigas. Não é por nada, não, mas cinza por cinza eu ainda sou mais a cinza das minhas covas-fundas. Pego de souza cruz que nem chaminé de fábrica de três turnos e odeio terno branco e chapéu como vai minha senhora. E também sei dar a volta por cima quando o buraco aparece mais embaixo. Se os telefonemas da Cavilinha mais anunciavam a cada dia um apagão à la apocalipse Dr. Jonas, mais eu tinha vontade de acender um holofote naquele túnel que levava a luz do trem até à cama da Lassie à la Nunca Fui Santa. Afinal, quem ia pagar a gasolina do meu Porsche Turbo 3000 e o Ballantine’s da minha digestão, se a pergunta onde, caralho, o pinípede fode quem, ficasse sem resposta? Portanto, já viu. Que se fodesse a gritaria da nossa dramatíssima Florismália, ai, eu vou morrer, eu vou morrer, que se fodesse o froxo filho da puta da nossa zambaíssima figurinista, que se fodesse o paredão do como vai a matéria dos anzóis e o Ximu corre que corre atrás do meu cangote, e os souza cruz que a estátua do meu eu reduzia a pó de peido no corredor da suíte do mistério que fossem chutar escanteios na casa do caralho. O negócio era pegar os anzóis mijando fora do penico e botar a higiene da testemunha no ocular da Cavilinha. Botar a higiene, assim, mostrar o tamanho da mijada e receber a bonificação correspondente. À la Benjamin Franklin, como mandava a convenção coletiva das gorjetas, e à la Nunca Fui Santa, como esperançava o meu sonho de consumo e o duro maior do meu tesão. Mas falar em tesão em hora de farejo, por mais fissurado que seja, não dá outra. É trabalhar e trabalhar. E foi. Peguei o problem sem mais aquelas, piquei o counting que nem minha santa mãe que Deus tenha picava cebolinha em refogado no azeite e meti os peitos no asfalto. Mesmo que todas as minhocas de Caxambu estivessem a cura de águas ou a banhos nas praias magnesianas, sempre teria sobrado alguma que se deixasse pescar nos interstícios dos pirobetumes urbanísticos. Pensa bem. Se o pinípede botava o quadrado da largura para mijar fora do penico da suíte do mistério, de que adiantava a estátua do meu eu dobrar o valor da ações da Souza Cruz a poder de covas-fundas? O que mais poderia acontecer era os mais vivos ganharem uma grana preta na Bolsa de Valores e olhe lá. Porque saber em que fora de penico mijavam as iscas dos anzóis, eu era que nem o marido mais traído da questão. A ver por aquelas sete noites a cinco horas top secret, a não ser que o cururu cururasse algum mosquito, só uma boa carona no cortejo dos benditos me livraria de ver O País do Milagre no Asfalto do Santo Milagreiro numa projeção especial do campanário das urtigas. E campanário por campanário, já viu. Se num as urtigas eram adubadas pelo dramatismo da nossa muito mais do que querida Florismália, pelo bitaculão da nossa magnífica continuísta, pelo zambaísmo da nossa brilhante figurinista, pelos rói-rói da nossa fascinante maquiadora, pelos abanos da nossa famosa cabeleireira ou pelas tanajuras da nossa perfeita secretária, no outro, quem cagava regras e adubos eram as doze samaritanas gerais. Doze, assim, que aguabentadas as Maga Patalógica, Madame Min & Associadas Condizentes, sobravam as duas que ainda davam para hastear qualquer bandeira em qualquer pau, por mais sebo que me botassem nas canelas. A loura cor de Noruega, auxiliar da perfeita secretária, e a morena cor de México, auxiliar da magnífica continuísta. Com qual delas os anzóis pegavam iscas, é o que iria saber o meu estepe cata-milho Adauto Simplício tão logo mandasse ver um apartamento no hotel onde os subeleitos rezavam ao Senhor na mais perfeita concordância de suores. Metade fruto das baionetas dos pelotões de centígrados por falta de aparelhos de ar-condicionado, e a outra metade pelo esforço de uma conjugação bíblica do mais íntimo conhecimento. E finis. Sem mais entraves de qualquer espécie, em reprodução ou extinção, foi o tempo de uma chuveirada e um Ballantine’s no capricho, e lá se foi o Revista da Cidade catar uma vaga no pousio do gelo norueguês e da tequila mexicana, o zoom da Nikon pronto a matar qualquer hipótese ao menor sinal de olha só. |
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CUNHA DE LEIRADELLA Casa das Leiras . São Paio de Brunhais |
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