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APENAS QUESTÃO DE GOSTO
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Capítulo 5 |
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Segunda-feira, plantão do anjo Hakamiah e dos santos Frutuoso, bispo, Epifânio, bispo de Pavia, e Inês, mártir de Roma, dizem os fissurados em infinitésimos matemáticos, é o segundo dia da semana. Dizem os formalistas do Ministério do Trabalho que a matemática nada tem a ver com a lei, a não ser para numerar os artigos e os parágrafos, e que a segunda-feira é o primeiro da jorna que faz do português a língua mais falada no Brasil, sem contar os contrabandos paraguaios e os latins da catedral de Brasília. Especiarias semânticas à parte, que isto de cabo-de-guerra disse-não-disse, é como sempre dizia meu velho pai e dizia melhor do que ninguém, quem com ferro fere deixa sempre cicatriz, uma coisa, porém, é ponto concordante entre todos os membros dos Institutos Históricos e Geográficos dos 4.082 municípios brasileiros que, hoje, 21 de janeiro de 1985, fazem fila no guichê porta-dos-fundos da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, apelidada de UNESCO pelo sobrinho-neto do Demóstenes, aquele gago da língua nos calhaus três vezes ao dia, o primeiro ou segundo, que ambos imperaram no Brasil. O primeiro, vidrado na Marquesa de Santos, e, o segundo, na Condessa do Barral. O que não era o meu caso. O meu caso era ajustar o zoom da minha Nikon nas partes impudendas do senhor Zózimo Forfait mijando fora do penico conjugal e estava escalado o Monte Pascoal à la besouro janelado do poeta J. G. de Araújo Jorge, primeiro grande amor da minha primeira namorada. Quem sabe, satisfeito com aquele Terra à Vista!, o Nunca Fui Santa do nº 5 do Chanel abria mão do nunca fui e santificava o meu trabalho, deixando o meu sonho de consumo consumir aquele berço de fofura? O velho Abílio Quitandeiro, vascaíno roxo e meu falecido tio e padrinho, que não entendia de berços mas conhecia procissões, sempre justificava o naufrágio das caravelas de São Januário, afundadas pelos canhões da Portuguesa de Desportos no Campeonato Nacional de Clubes de 1952, com a mais perfeita imitação do breviário do cunhado e compadre taberneiro, sonhar não custa, custa é pagar as bulas do jejum. Compensadas as baixas dos sete marechais nas fileiras do meu exército fiduciário na esperança do meu sonho de consumo fofurar aquele berço, enchi o tanque das minhas necessidades fisiológicas com as 1.157,30 calorias de um café da manhã doutorado em índices colasteróicos, cubei o oco dos pulmões com um souza cruz sumido em quatro covas-fundas, aquelas tragadonas que os ecologistas pulmonares esconjuram e chamam de caixão-à-cova, e saí do hotel como quem sai de um casamento à la coluna social. Pronto a ancorar a minha nau capitânia no primeiro Terra à Vista! que pintasse no horizonte do hollywood caxambuense. Mas nada que se parecesse com os versículos da epístola de São Mora aos Incréus navegava no conceito curativo das águas medicinais. Só na entrada do Parque uns burricos escanzelados e algumas carroças da guerra do Paraguai davam uma pálida idéia do duro que o James Stewart cortou para atravessar as fronteiras da Região do Ódio. Fora disso, nem os guardas de plantão, nem as ciganas das promessas à la Loteria Federal ou os apostadores nos milagres hidropáticos me souberam dizer onde o senhor Zózimo Forfait aparelhava os pangarés de O Grande Cidadão e a Lenda do Cururu Voador, se é que o grande cidadão descadeirava em montarias. Fazer o quê? Dar uma de Jesse James, assaltando o Parque e matando a pau a figadeira com meia dúzia de galões magnesianos, ou pegar as rédeas da primeira carroça da fila e atravessar também as fronteiras do ódio? Nada como uma boa dúvida para fazer a coisa certa, dizia meu velho pai e dizia muito bem. Com os 212 graus farenheit da Lauren Bacall de sentinela nas esquinas, cozinhar as 1.157,30 calorias do café da manhã em compostos magnesianos seria o mesmo que fazer do estômago um pó de peido à la tiro de canhão. Por outro lado, bancar o condutor de diligências e desafiar os pelotões dos centígrados para a maratona 40 graus à sombra e sol a pino na moleira, seria apenas trocar o peido pelo canhão. Diante daquele nada a fazer, fiz o que faziam os repórteres, culturais ou não, diante do nada a declarar do ministro Armando Falcão, que não falava, mas também não deixava ninguém falar. Arrepiei caminho e despejei o suor dos amazonas na meia-calça do 20 do casal da Recepção. - Onde tá o pessoal das filmagens? Meia-calça é meia-calça e estamos conversados. Um soslaio e um sorriso, e o placar das informações gratuitas ferveu no de da função idem. - Tá em reunião no salão de dança. - Salão de dança? Foi a vez do calça-curta do outro 10 entrar no campo dos verbetes. - Na antiga boate do cassino. O nosso hotel sempre foi o preferido das personalidades que visitaram Caxambu. Presidente Getúlio Vargas, presidente Juscelino Kubitschek, presidente Castello Branco, governador Magalhães Pinto, governador Rondon Pacheco, senador Filinto Müller... Cara-pálida, cara-pálida, O Grande Cidadão e a Lenda do Cururu Voador podia não ser nenhuma Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita, mas, pelos vistos, o senhor Zózimo Forfait entendia mais dos gráficos da Revista Forbes do que pensava o dourado da caneta do foco luminoso que seguia sempre uma trajetória reta em determinada direção. Entendesse ele tanto de mijadas fora do penico conjugal e o meu sonho de consumo mereceria muito mais do que a esperança de consumir a fofura daquele berço. Ainda sem saber o que fazer com a preferência das eminências que visitavam Caxambu, abanquei-me num tal de Whisky Bar e, à sombra de uns vitrais que nem os da igreja de São Jorge, em Cascadura, mandei cubar um Ballantine’s do tamanho do grande cidadão e esperei terminar o concílio. Concílios não se interrompem. Alguém já pensou que se algum xereta tivesse interrompido o Concílio Vaticano I, do qual o falecido Eduardo da Micas do Ferreiro não participou em 1870, até hoje não teríamos papas infalíveis? O senhor Zózimo Forfait não era nem uma figura. Era uma esfera. Metade do pé-direito da epístola de São Mora aos Incréus pelo dobro do quadrado da largura, e um peso específico medido a guindastes titanic. Como sinalização particular, uma barba à la Dom Pedro II antes do banho e uma careca que nem o Yul Brynner depois de O Rei e Eu. E não andava. Deslizava, como se, em vez de sapatos ou assemelhados, assentasse o volume em rolamentos. Espartilhado numa jaqueta sem mangas e com mais bolsos por metro quadrado do que trutas em viveiro, onde apareciam, entre canetas, lapiseiras e outros objetos menos identificáveis, meia dúzia de charutos e uns dois ou três cachimbos, se um chapéu de lona cravejado de anzóis e de iscas lhe ofuscasse o brilho da careca, a gordura alérgica ao nº 5 do Chanel mais pareceria um pescador de robalos do que um produtor e diretor de filmes em função de atividade. Se era aquele pinípede que tinha produzido e dirigido a primeira montagem da Nunca Fui Santa e mandou a perfeição da quadratura espiar submarinos no campanário das urtigas, preferindo montar outras nunca fui, então meu velho pai tinha mais do que razão. Quem ama o feio, ou ainda é mais feio ou não enxerga. Que não era o caso do nº 5 do Chanel do foco luminoso. Luz mais a preceito nem o Oscar dos efeitos especiais do E.T. Spielberg. Que visgo usaria o pescador de robalos para acender focos ainda mais luminosos do que o lustrino pêlo da Lassie, era a pergunta que me fazia enquanto os membros do concílio se espalhavam pelo salão e o quadrado da largura rolava as iscas dos anzóis no ar da carruagem. Sem resposta imediata, mas certo de que a pergunta seria respondida, ou não fosse verdadeiro o 3:1 do Livro do Pregador, deixei o acendedor de focos luminosos desaguar o suor dos amazonas no couro de um assento mesa-para-oito e ancorei a minha nau capitânia no delta da bacia. - Senhor Zózimo Forfait? Metade do litro de White Horse enxurrou pela garganta e a outra metade tremeu nos cascos da garrafa. - Sim? - Eu gostaria de falar com o senhor. - Fale com o meu assistente. - Mas o assunto... - O meu assistente trata disso. Quando me contaram que um tal de Aristóteles Sócrates Onassis precisou das oitenta cabines do iate Cristina para comer as sobras que o falecido presidente Kennedy deixou no contrapeso da herança matrimônio, eu não acreditei. Que tem gente que gosta de navegar em águas de bacalhau e tomar o café da manhã no porto do ai, não, não, disso nem o 3000 do Turbo do meu Porsche duvida quando aumenta a gasolina. Agora, dar uma de pincel e botar a culpa na tinta, só mesmo quem nunca soube abrir as portas dos outros com o suor das suas próprias ferramentas. Não que eu fosse metalúrgico, aprendesse a ler no ABC e fundasse o Partido dos Trabalhadores, mas botar lingüiça em coleira de cachorro era comigo. - Senhor Zózimo... - Eu já não disse que o meu assistente trata disso? Fazer o quê? Afundar o iate Cristina no Onassis do Aristóteles e mandar as sobras da Jacqueline benzer assistentes em outros matrimônios ou dar uma de capitão Nemo e passar a ferro aquelas 20.000 léguas de unto sem dar bola para as pororocas do percurso? Não fossem os Benjamins das diárias à la taifeiro da marinha do Tio Sam pago em dólar e a esperança do meu sonho de consumo consumir a fofura daquele berço, e o pinípede veria com quantos Stevens Spielbergs se fazia um faz-de-conta. Mas não era hora de exagerar nos condimentos. O chrono do meu casio alarm cravava, exatamente, 11:11 11 e hora de tão perfeita capicua, agora, só depois do meio dia. Nada a ver com caminhadas no Além ou outras penetrações na quarta margem do volume, mas números que dão sempre o mesmo número, sejam lidos da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, não aparecem por aí que nem farol baixo em neblina. Portanto, apesar da minha alergia a tudo que não tivesse cheiro ou gosto, aqueles 11:11 11 não tinham pintado ali à toa. Se mais nada significassem, significariam, pelo menos, que eu tinha, exatamente, 48 minutos e 49 segundos para rolar a esfera antes que o pescador de robalos pudesse meter o pé no freio, é meio-dia, meu amigo, e nem o meu assistente recebe seja quem for na hora do almoço. Diante do inevitável e dos algarismos do meu casio, pum, pum, pum, meti a mão na carteira das missões e lustrei o encerado do balcão com o meu estepe jornalístico. - Adauto Simplício, jornalista. E estou aqui incumbido de inaugurar a Revista da Cidade com uma entrevista do senhor. Confesso, tremi até nas bases. Não com medo que os olhos do pinípede se negassem a olhar a evidência do meu estepe, mas porque a frase tinha sido tão idiota que até as arestas de qualquer cubo deitariam e rolariam em cima dela. Mas, mesmo para lá de tridiota, foi suficiente. Como dizia meu velho pai e dizia muito bem, o que seria da merda se mosca só comesse pão-de-ló? Ou seja, já que a colher entrava em assuntos sovacais, o que seria dos cientistas sociais, e doutorados afins, se não fossem as frases idiotas que lhes pagam os salários? E como seriam olhadas as teses que mudavam os destinos dos homens na terra da boa vontade das mulheres? Do mesmo jeito que o pescador de robalos olhou o retrato 7 x 5 do cata-milho Adauto Simplício, plastificado no estepe-mor das evidências. - Muito prazer. Toma um dessedante? Dessê o quê? Será que algum bispo bebum tinha crismado o escocês ou o pinípede estava dando uma de entendido em cima do Simplício do Adauto? Se cuida, cara pálida, se cuida, que ninguém cata milho em cima de moá, não. Mas não era hora de mandar um vai se foder e limpar as nódoas da toalha, de forma que, mesmo não sabendo se o troço era de comer ou de beber, parafusei a cara do melhor entendimento e mandei ver um sorrizão que nem te conto. - Aceito. Obrigado. Era de beber. Era de beber e de botar até carma em tiro de culatra, que a lua nova desta segunda-feira, 21 de janeiro de 1985, dia mundial das religiões e da legalização do aborto nas filhas do Tio Sam, o Dimidium est sit sanctum erit dolor animae nemo tacere erubit, DESSEDANTE, se encarregou de levantar Caxambu aos ninhos das aranhas da gramática. - Ótimo. Me botaram um copo de água na mão, o pescador de robalos cubatou um charutão à la Fidel desce Sierra Maestra acelerado e as chaminés da refinaria de Manguinhos viraram pó de peido à vista atômica do cogumelo do robalão. A condizer na circunstância, o meu assistente trata disso também foi peidar no campanário das urtigas e finis. O mundo é mesmo das bactérias. Setenta e cinco por cento dos três mil decilhões de seres que habitam a terra são esquizomicetos, cocos de bacilos ou espirilos, e não estão nem aí para o posso mas não devo. Pois não é que o peso específico da metade do pé-direito pelo dobro do quadrado da largura da epístola de São Mora aos Incréus, que está em Caxambu produzindo e dirigindo filme O Grande Cidadão e a Lenda do Cururu Voador, só precisou ver o estepe-mor das evidências para verdadeirizar o falso cata-milho Adauto Simplício e a ainda mais falsa Revista da Cidade? Mas foi até bom. Deu tempo para devolver o copo de água ao garçom e mandar ver um Ballantine’s no capricho, e palmas para a Tipografia Castelo de Lanhoso Ltda que fez um trabalho que nem as impressoras da Casa da Moeda. Mais perfeito só mesmo contrabando paraguaio. Porque, se o cruzeiro novo não tem lastro, a culpa não é da Casa da Moeda. É dos bancos suíços que numeram as contas e escondem o ouro da Ferrovia do Aço, do Lóide Brasileiro, da Previdência Social e de outras cabras-cegas medidas a bilhões. Baforado o charutão com a mesma tranqüilidade com que o John Wayne matava índios No Tempo das Diligências e transformado o meu assistente trata disso em manutenção de escada-rolante, o pinípede samburou os robalos na cacilda e entrou sem mais aquelas no quadrado da largura. - O senhor gosta de cinema? Eu já tinha visto aquele filme no meu estaminé com o nº 5 do Chanel piscando a lanterninha. Mas se era para reconhecer firmas em cartório, era comigo. Fazer de conta, grande cidadão, sempre foi o meu banho de gato preferido. - Gosto, e tenho as minhas preferências. - Conhece o meio? Sabe por que é que o Brasil só tem futuro? Por isto. Com cento e trinta milhões de técnicos de futebol, centro e trinta milhões de ministros da fazenda, cento e trinta milhões de presidentes da República, cento e trinta milhões de pais-de-santo e cento e trinta milhões de eu-acho-que, o que todo mundo faz é repetir o que todo mundo já fez. E sem essa de tirar lições dos tais clássicos. Mesmo que A Retirada da Laguna, em vez de duzentas mil páginas, tivesse só as capas e as orelhas, quem que tiraria ensinamentos daquelas arrecuas? Meu velho pai, que nunca conheceu o tal de Visconde de Taunay nem conseguiu abiscoitar uma passagem de volta à tal de Serra do Gerês, lá nos cafundós de Portugal, sabia o que dizia. Rapaz, é nas arrecuas que a galinha mostra o cu. - Bem. O meio... Fiquei no meio do meio, que nem já tinha ficado no meio do nº 5 do Chanel, o White Horse frenesi, frenesi, mais encabritado do que curumim descabaçado. - Posso conhecer as suas preferências? Agora, sifu, viu, cara-pálida? Pensa que o velho Mora fuzilou cem marechais só para se vingar do arrastão da traineira do AI-1, costurada pelo Deutschland über alles, aquela Alemanha acima de tudo do doutor Francisco Campos das arábias? De jeito maneira, meu Fidel. E se o páreo é pura repetição, vamos ver se a cevada do seu White Horse parelha com o pêlo da Lassie, que os amigos do Clint, os Smith & Wesson do velho Dirty Harry não têm nada a ver com a mufunfa paga à epístola dos Incréus. - Claro. Mas como não sou nenhum especialista, as minhas preferências são as mais ecumênicas possíveis. O pinípede robalou o olho àquele ecumênicas, mas nem liguei. O Dicionário do Aurélio me cobria qualquer possível e/ou admissível retirada. - Assim de momento e entre outros, e pelas mais diversas razões, À Meia-noite Levarei sua Alma, A Primeira Noite de Tranqüilidade, A Serviço de Sua Majestade, Amor Bandido, Como Conquistar as Mulheres, Eles Não Usam Black Tie, Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver, Golpe Sujo, O Ilusionista, Os Olhos de Laura Mars, Sob o Domínio do Medo e Um Tiro na Noite. Mas só o Golpe Sujo é que assisti duas vezes. Mas não foi por nada, não. Foi só para descobrir qual era a marca do maço de cigarros que tanto aparecia no filme. Com tão perfeita dicção e uma ainda mais perfeita ordem alfabética, nem iscas sobraram nos anzóis. O pé-direito do pinípede não era nenhum Cassius Clay e foi fácil botá-lo a nocaute com aquela taramela de circo de cavalinhos à la São João das Antenas. - O senhor está com tempo ou temos que conversar agora? Razão de sobra tinha meu velho pai. Quem tem telhado de vidro não pode dormir nu. Com o pinípede desmilingüido bem no meio do ringue, foi a minha vez de reduzir a pó de peido as chaminés da refinaria de Manguinhos. Reduzir a pó de peido, assim, um souza cruz sumido em duas corta-luzes, aquelas fumacês do quem já foi rei odeia voto, um soslaio e um cheiro no Ballantine’s, e lá vou eu mostrar ao robalinho com quantas zorbas se faz um bico de cu doce. - Primeiro, gostaria de assistir alguma coisa das filmagens. Na mosca. O pescador engoliu iscas e anzóis, e ainda mandou ver o maior embeurrée d’escargots no sorrizão. - Se me permite, tenho uma idéia ainda melhor. Eu lhe dou o roteiro, o senhor lê, faz uma idéia do filme, assiste às filmagens que quiser e, depois, então, faremos a entrevista. Convém-lhe assim? Conveniência, dizia meu velho pai, e sempre dizia melhor do que ninguém, é que nem mulher da gente. Convém, convém, mas, às vezes, não convém. Eu não era casado, amigado ou outras discriminâncias, mas também tinha as minhas conveniências. E, roteiro por roteiro, o do Um, cem, mil, viva Tancredo Neves, presidente do Brasil!, mesmo com cento e trinta milhões de figurantes pagos a promessa eleitoral, tinha a maior das vantagens. Não precisava nem ser lido. Mas, e isso eu aprendi com o velho Abílio Quitandeiro, vascaíno roxo e meu falecido tio e padrinho, uma coisa é a gente querer e outra é a gente poder. O glorioso Vasco da Gama que o dissesse, campeão brasileiro de 1974, por mais promessas que fizesse e por mais velas que acendesse, afundou todas as naus no campeonato de 1975. Eu não era vascaíno e nada entendia de naus, sabia apenas que algumas delas tinham chegado à vista do Monte Pascoal numa quarta-feira, 22 de abril de 1500, com os aplausos do anjo Lehahiah e dos santos Sotero, Leônidas de Alexandria, Agapito de Constantinopola, e Caio, papa e mártir, e o testemunho do velho Pero Vaz, e que a terra foi batizada Vera Cruz, crismada Santa idem e registrada Brasil ou Terra dos Papagaios. Certidão que permanece até hoje, pois, quase quinhentos anos depois, ainda todo mundo repete o que todo mundo já disse. Mas mesmo não sendo vascaíno e nada entendendo de naus, entendia o suficiente de freios para saber que se batesse de frente com o pé-direito dos robalos podia resvalar na esfera do quadrado da largura e bater de lado com o nº 5 do Chanel. E as batesse, já viu. Adeus meu sonho de consumo e diárias à la taifeiro da marinha do Tio Sam pago em dólar. Portanto, conveniência por conveniência, ótimo é um adjetivo perfeito e um superlativo absoluto sintético de bom ainda mais do que perfeito, com a vantagem de o Dicionário do Aurélio me cobrir todas as deficiências auditivas. - Está ótimo. O White Horse meteu os cascos no resto da garrafa, abriu as comportas dos amazonas peitorais e fuzilou farenheits e centígrados que nem o Tarzan fuzilava cipós e decibéis. - Ximu! Nada de melenas à la Iracema da asa da graúna ou pinta acobreada à la Paraguaçu Caramuru, embora o cururu do grande cidadão cheirasse a manacá da nossa prima língua. Mas era só cheiro. Ximu era um pau-de-virar-tripa branquelo e de lã amarelada, que saiu do nada e pintou junto do balcão como o acendedor das lâmpadas do Aladim pintava nos pulinhos do marinheiro Simbad. Num átimo. - Sim, senhor. - Pega um roteiro. - Aquele shooting que o senhor mandou eu decupar? - Não. O script. - Mas o decupado dá uma idéia mais... - Script, Ximu. - Sim, senhor. - Dos encadernados. - Sim, senhor. - Rápido, Ximu. - Sim, senhor. Com aquele, rápido, Ximu, saindo pelo canto da boca que nem apito de fábrica em guerra de capital e de trabalho, não era a mão que mamãe untou de creme que ia meter o dedo na cumbuca de nenhum dá licença. Mas que fiquei mais nu do que a Eva xeretando a maçã no Paraíso, não adianta nem negar. Gente, pensa bem, shooting e script era mole. Aqueles ss cheiravam longe a espirro do Tio Sam e uma leitura mais atenta da epístola de São Mora aos Incréus me botaria na hollywood de Caxambu que nem afilhado de político em secretaria de governo. Num átimo. Agora, decupado, segura o bonde campeão, aquele ado era puro sovaco de robalo, embora eu não soubesse se era de mandar ver ou entrar em função de. Tão sovaco, que nem o Dicionário do Aurélio botou a boca no trombone. Mas fazer o quê? Segurar a tripa do Ximu e perguntar, ou dar uma de James Bond, que sacava a safra do vinho só pelo jeito do garçom tirar a rolha da garrafa? Com o rápido, Ximu, ainda esquentando na cera dos ouvidos, deixei o decupado dar uma de Interlagos e botei as dobradiças da coluna na mais capachilda curvatura. E, aí, já viu. O tiro pegou de gatilho e de culatra e acertou na maior mosca dos conformes. O rápido, Ximu, meteu o pé no freio e parou justo, justo, no sorriso do lobo curando a asma do cordeiro. - Preocupe, não, que o Ximu, depois, lhe explica tudo que quiser. O roteiro é meu mas foi escrito por ele, e de escrita ele entende. E muito. Desilusão, desilusão, a quantos traumas nos obrigas. Mas a real era a real e de nada valia chorar mais um previsto aumento de gasosa. O pinípede era apenas o pai putativo do curumim, mas talvez fosse até melhor. Pelo menos, o grande cidadão, mesmo que bebesse, não tomaria dessedantes, e, mesmo que dirigisse filmes, não faria decupagens. Não era nada, não era nada, já era um baita de um ganho para o Dicionário do Aurélio, que não precisaria ser revisto, uma vez que decupagens e dessedâncias eram apenas funções ou, ou. Ou o Aurélio e os colaboradores especializados de antropologia até zoologia não tomavam dessedantes e não faziam decupagens, ou não gostavam de funçar no intestino grosso da língua. Fosse como fosse, desilusão por desilusão, melhor ficar com o empate. Os filólogos não escreviam roteiros e o Ximu não escrevia dicionários. Mais dois pares de ferraduras nos cascos do cavalo e outro Ballantine’s bem cubado, e as amenidades da circunstância entraram em função de e vieram sentar na sala das visitas. - Quantas páginas o senhor calcula que terá a entrevista, hem? Eu entendia tanto de páginas quanto o pescador de robalos devia entender de bicharada perdida no Aterro do Flamengo e encruzilhadas circundantes, mas segurei a peteca com a maior cara de presidente de sindicato negociando um acordo metalúrgico. - Bom. A ver pelo que me foi recomendado, calculo que nunca menos de dez ou doze páginas. A Revista da Cidade quer entrar no mercado bem por cima da carne seca. Talvez fossem as dez ou doze páginas ou a secura da carne, não sei, não sou especializado em asponismos, mas o pinípede até que se lambuzou todo naquele bem por cima. - Ótimo. Ótimo. Porque, lhe digo, fazer cinema no Brasil, com o cabide de empregos que é a Embrafilme, só mesmo quem é teimoso. Ou tem fibra, como eu. Quando me contaram que essa tal de Empresa Brasileira de Filmes era um verdadeiro compêndio de genealogia tropical, eu não acreditei. E não acreditei porque, a ver pelo verbete do Aurélio, genealogia passava mais longe do tropicalismo dos barões assinalados do que o repórter Adauto Simplício do Sindicato dos Estepes. Mas quando o porteiro do meu prédio me disse que o filho do vizinho, que era afilhado do primo da tia do cunhado da mãe do compadre da sobrinha da avó da manicure do vereador eleito pelas mal-amadas da Praça Saens Peña recebia a graninha do mês paga pelos cofres do Tesouro Nacional via ladroeira da penumbra da hollywood de Brasília, eu tive que acreditar. Afinal, o Brasil não tinha só seca no Nordeste ou enchente no Pantanal. Além do maior estádio de futebol e da maior floresta tropical, tinha também um modelo democrático capaz de fazer inveja à mais afinada roleta do Cassino de Monte Carlo. Geléia geral por geléia geral, dura lex, sed lex, no cabelo só gumex, como dizia o comandante da minha companhia na Vila Militar em dia de farda de gala e Royal Salute on the rocks, no mais perfeito manda quem pode, obedece quem não tem farda. Se o pobre do trabalhador não sabe nem o que é horário de trabalho, a culpa não é dele. A culpa é das mal-amadas da Praça Saens Peña que elegeram um vereador que pega polimento nas unhas de uma manicure que é neta da tia da comadre do filho da cunhada do sobrinho do primo que é padrinho do filho do meu vizinho. E sem culpa para sentir, como admirar que o Maria Candelária do filho do meu vizinho, que saltou de paraquedas e caiu na letra O do cofre da Embrafilme não dormisse mais tranqüilo do que pastor da Igreja Pentagonal das Santas Nuvens do Senhor, admirador confesso do 6.28 do Santo Evangelho Segundo S. Mateus? Mas não era hora de biblismos. Nenhum profeta tinha pregado genealogias tropicais e já que o pinípede me olhava que nem cabo eleitoral olha redator de discursos, não me custou nada engolir em seco duas vezes e bancar o mais circunspecto porta-voz da presidência. - O Brasil é o país do futuro. Na mosca. A careca dos anzóis reluziu mais do que sorriso de candidato em dia de eleição e, pela primeira vez, ninguém xingou um porta-voz da presidência. - Foi, justamente, por ainda acreditar no futuro deste país que eu resolvi filmar O Grande Cidadão e a Lenda do Cururu Voador. Uma história que tem muito a ver com a nossa realidade, pode crer. Mais duas ferraduras do White Horse cravadas nos cascos da garrafa e os amazonas peitorais, satisfeitos com o adjutório gratuito, romperam as comportas, inundando a pelaria das matas intercostais à la gordura é formosura. - Claro que eu podia colocar a história se passando diretamente no Brasil. Mas, por uma questão pura e simples de criação artística, digamos assim, preferi colocá-la num país imaginário. E sabe porquê? Porquê, sempre dizia meu velho pai e dizia melhor do que ninguém, é que nem fiscal sanitário. Bate que bate nas portas, mas não sabe que porta vai abrir. Mais cauteloso do que porta batida, balancei a cabeça na maior compreensão e o pescador de robalos mergulhou, satisfeitíssimo, no cardume das fanecas. - Foi para dar ao público um ponto de comparação e de reflexão. Não é invenção minha, claro, antes de mim já outros cineastas optaram por esta solução, mas os resultados sempre superaram as expectativas. Lewis Gilbert, em O Mundo dos Aventureiros, e o nosso Glauber em Terra em Transe, por exemplo, são duas lições que justificam plenamente esta minha opção. Não que eu enfoque, especificamente, ditaduras ou corrupções, O Grande Cidadão e a Lenda do Cururu Voador é mais uma alegoria tipo Tabu, do Júlio Bressane, que, tenho certeza, o senhor deve ter visto. Não tinha visto e, como também não conhecia nenhum tabu que me fizesse perder quilos para refrear vontades menos dignas, à cautela, bisei a compreensão do balanço da cabeça, tracei o resto do Ballantine’s e pedi ao meu Santo Expedito das causas urgentes e dos negócios que precisam de pronta solução, que me ajudasse a sair daquelas tabuadas, pois se o mergulho pegasse no cardume dos robalos nem todas as epístolas de São Mora aos Incréus me abririam as portas do céu ou vizinhança. Na mosca. Santo que é santo é santo mesmo, e o meu Santo Expedito não me deixa mentir. Antes que o robalão me pissicasse de tabus, a tripa do pau ximuense mergulhou na piscina, mais sorridente e confiante do que candidata a atriz em figuração de novela, e salvou do ralo as minhas diárias à la taifeiro da marinhado Tio Sam pago em dólar. - Aqui, chefe. Grande Ximu, mais sonoro do que os clarins do Sétimo de Cavalaria, salvando carroças e cavalos nas pradarias do oeste de Hollywood. Se, em vez de um Oscar de Efeitos Especiais houvesse um Oscar de Salvação na Hora H, nunca que O Retorno de Jedi teria sido premiado. Ximu ganharia o páreo por mais de dez relinchos e cinqüenta ferraduras. Grande Ximu. - Um azul, um vermelho e um amarelo. As jabuticabas dos olhos do grande pé-direito atravessaram peitos e costelas do salvador das carroçadas e o charutão, por um isco, não voou pelo bar, virando OVNI. - Eu falei um, Ximu. - Mas, chefe, o senhor não mandou encadernar em três cores pra... O OVNI do charutão turbinou os reatores no hangar e o fumo das baforadas cobriu de vergonha o mais bem apetrechado forno carvoeiro. Dissolvido o alcatrão num gole de fazer inveja a dromedário dupla ação, o grande chefe acalmou as pororocas dos amazonas peitorais e as jabuticabas dos olhos embainharam os punhais e os facões. - Desculpa, Ximu. Eu tinha esquecido. É isso mesmo. Azul, vermelho e amarelo. Coberto o balcão do bar com as cores do uniforme do Madureira Esporte Clube, os clarins do Sétimo de Cavalaria do Ximu foram matar índios em outra produtora e o pescador de robalos voltou à função de. - Não que eu seja supersticioso, longe disso, mas é que nem todo mundo gosta da mesma cor. Se eu gosto de azul, que é uma cor que me acalma, o senhor pode preferir o vermelho, por exemplo, e qualquer outro pode gostar mais do amarelo. Que, apesar do que se diz, é uma das cores mais quentes que existe. Mas, o importante, e foi por isso que mandei encadernar em três cores bem diferentes, é que o leitor, logo à primeira vista, goste do que vê. Concordei com o silêncio mais adequado às circunstâncias, mas tive até pena do pinípede. Se, em vez de conhecer tanto de cores, tivesse conhecido antes o velho Eduardo da Micas do Ferreiro, meu falecido pai e sábio batizante das cachaças que vendia no boteco, não teria jogado na privada a grana que jogou. À primeira vista a gente não vê nada, cara-pálida. Só na segunda é que se vê a mancada e o tamanho do buraco. Mas não era hora de desiludir um futuro ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Se até Moscou Não Acredita em Lágrimas levou um para as estepes siberianas, por que é que O Grande Cidadão e a Lenda do Cururu Voador não poderia trazer outro para o asfalto hidromineral de Caxambu? - Qual é a cor que mais significado tem para o senhor? Branco. No branco se vê tudo. Até a menor cagada de mosca vira ato institucional de sujeira. Mas, assim como não era hora de desilusões, também não era hora de verdades. Como muito bem dizia o velho Eduardo da Micas do Ferreiro, se perguntar não ofende, não pergunte, responda. E também não custava nada fazer por onde aumentar o número das diárias que o taifeiro da marinha do Tio Sam ganhava em dólar. - A cor azul, sem a menor sombra de dúvida. Na mosca. O sorrido do grande robalão abriu dentes e gogós e mostrou a rosca da tripa forra. - O senhor, além de jornalista, também faz as suas criações? Poemas ou outra qualquer literatura? Dizem que o que mais embatucou o Orson Welles não foi Cidadão Kane ter perdido o Oscar de Melhor Filme para Como Era Verde o Meu Vale e ele ter dividido o Oscar de Melhor Roteiro Original com o Herman J. Mankiewicz, foi a pergunta do repórter do The Brokenknee Times, logo após o resultado: Senhor Welles, não é maravilhoso, além de diretor, o senhor ser também um roteirista? Eu não era diretor e, muito menos, roteirista, mas a pergunta também me embatucou. Embatucou, assim, se o pinípede pisasse firme na rodovia literária, onde iria parar o meu Porsche Turbo 3000? Por mais Santos Expeditos que pudesse ter o céu, nem o general Eisenhower me arrumaria um Dia D. Bater de frente no quadrado da largura era acabar no ferro-velho. E, aí, já viu. Além da conta do hospital, lá se iam as diárias à la taifeiro da marinha do Tio Sam pago em dólar. Preocupado com a contramão da qualquer literatura, entrei no acostamento da via dos poemas e respondi com a certeza de quem sabe que não pode ser multado. - Eu gosto da cor azul apenas por uma questão visual. Visual, assim, acho-a a cor mais serena do arco-íris. Eu nunca tinha visto um arco-íris e nem sabia se tinha cor azul. Mas, como as jabuticabas dos olhos do quadrado da largura não me atravessaram peitos nem costelas, das duas uma. Ou o arco-íris tinha mesmo cor azul, ou o pinípede entendia tanto quanto eu de arco-íris. O que veio a dar no mesmo. O OVNI do charutão não turbinou os reatores e os pelotões dos centígrados também não fuzilaram os 212 graus farenheit da Lauren Bacall. Nem a gabardine e o chapéu do Humphrey Bogart. - Eu perguntei, porque é muita coincidência termos ambos o mesmo gosto. Coincidência, cara-pálida, sempre dizia meu velho pai e dizia muito bem, é que nem mulher de vizinho. Coincide, coincide, mas só coincide quando quer. - Mas é a realidade. - Que ótimo. Bom. A ver pelo sorriso da carruagem, os taifeiros da marinha do Tio Sam continuariam pagos em dólar mesmo que os salmos do eterno candidato a candidato, Reverendo Jesse Jackson, tivessem derrotado o eterno canastrão Ronald Reagan, reeleito presidente. - Leve o azul, então. Peguei a percalina e mandei ver a praxe das circunstâncias com a maior seriedade. - Obrigado. - Eu não vou lhe contar o argumento. Prefiro que o senhor leia sem ter sofrido nenhuma influência. Concorda? Fazer o quê? Impor os meus direitos e mostrar que nos cem dólares diários que o nº 5 do Chanel me pagava não estava previsto nenhum seguro ocular ou bancar o velho marechal Rondon da floresta e instalar as melhores linhas telegráficas no cururu daquele pantanal encadernado? Mas tem a verdade. Aqui ou na casa do mais desprevenido Rockefeller, Benjamin é Benjamin, e cada Benjamin já cosia 345.000 cruzeirinhos novos nos fundilhos da minha conta bancária. - Perfeito. Tão clara, sucinta e incisiva foi a resposta, que o pescador de robalos recolheu iscas e anzóis, e olhou-me como se eu fosse o Concorde Paris-Nova York taxiando na pista capinada de São João das Antenas. - Qual é o seu signo? Eu não pescava nada de horóscopos e piniquices assemelhadas, de forma que foi fácil dar uma de honesto. - Não sei. Para meu espanto, nem espanto nem desolação pupilar. O cururu voador abriu as asas e planou tranqüilo no céu tupinambá. - Que mês o senhor nasceu? - Novembro. - Que dia? - Dezesseis. - Então o senhor é Escorpião e eu sou Peixes. O que os escorpiões tinham a ver com os peixes foi coisa que nunca soube, pois o signatário dos osteíctes, em vez de matar a minha curiosidade, quis foi matar a dele. - Almoça comigo? As filmagens só começam amanhã. Era azeitona demais para empada tão embeurrée. E, quem sabe, aquela caldeirada de escorpiões e de peixes seriam também os escargots da sobremesa? Melhor, muito melhor, nariz que mamãe beijou não meter epitélios em ninho de marimbondos. - Adoraria. Mas (e, numa pausa à la naufrágio de nau capitânia, apontei a percalina adormecida nos meus joelhos) é melhor começar logo a leitura. Quanto mais cedo terminar, mais rápido podemos começar a entrevista. Na mosca. Um piscar de olhos e as ferraduras do White Horse retiniram nos cascos do fundo da garrafa. - Vejo que o senhor é um profissional. Profissional era a mãe. Eu era apenas um olho-vivo e boca-de-siri que tinha conseguido adaptar a gabardine e o chapéu do Humphrey Bogart e os 212 graus farenheit da Lauren Bacall ao asfalto da Avenida Rio Branco e me tinha dado bem. Tão bem, que uma diária de setenta marechais, promovidos dia a dia pelos índices da inflação da catedral de Brasília, não tinham botado aquela Lassie à la Nunca Fui Santa fora do canil. E ainda mantinham, morníssimo, o caldo do meu sonho de consumo. - Vida de jornalista tem destas coisas. Nem sempre se pode unir o útil ao agradável. Melhor, só discurso de candidato de São João das Antenas, e em eleições paroquiais. O pinípede fez questão de assinar a conta dos Ballantine’s e despedimo-nos com todos os votos das melhores intenções e direitos de um encontro muito próximo, mesmo considerando a água do carma DESSEDANTE. |
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CUNHA DE LEIRADELLA Casa das Leiras . São Paio de Brunhais |
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