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APENAS QUESTÃO DE GOSTO
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Capítulo 3 |
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Manhã de sexta-feira, 11:00 00 cravadas no chrono do meu casio alarm, hora do anjo Jezalel e dos santos Volusiano, bispo, Liberada, Prisca e Beatriz de Vicência inspecionarem as manobras dos pelotões de centígrados aquartelados no ex-céu deste chope de asfalto ao ponto de fusão que os fabricantes e vendedores de aparelhos de refrigeração chamam Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa, e os turistas só visitam que nem o John Wayne visitava o faroeste. Com mais medo de morrer do que micróbio em vias de penicillium. Com a carcaça do ar-condicionado batendo mais pino do que motor de forde-de-bigode na Ladeira do Monte do Calvário, era de ver que o assoalho do meu estaminé fritava mais ovo do que as caldeiras do Titanic antes do beija-mão do iceberg. Mas mesmo que todos os centígrados do mundo parissem centigradinhos miles por segundo e o asfalto da Avenida Rio Branco virasse furor de noiva em função de espera no altar, uma coisa, pelo menos, era certa. No dia 15 de março o rescaldo do civismo do Um, cem, mil, viva Tancredo Neves, presidente do Brasil!, além de desfardar e dedetizar a catedral de Brasília, também veria o futebol do Brasil tricampeão do mundo ganhar a Taça Libertadores da América mesmo sem precisar entrar em campo. Não era nada, não era nada, já era um balde de água bem gelada onde cento e trinta milhões de torresmos poderiam refrescar-se. E até matar a pau o sabe com quem está falando de qualquer farda mais metida a besta. Nunca fui muito de torresmos. Carioca nascido e criado em Niterói-antes-da-ponte sempre fui mais de goiaba do que de banha. Mas, mesmo assim, só a idéia de não precisar mais de saber que farda tinha pela frente, me botou mais no alegro do que mina do calçadão da fama da Avenida Atlântica rodeada de cofres da Suíça. E a alegria foi tanta que até a carcaça do velho forde-de-bigode entrou na dança. Engrenou uma prise e desceu que nem foguete a Ladeira do Monte do Calvário, fuzilando numa boa os pelotões de centígrados que já assavam galetos nos vidros das janelas. Não fosse o nº 5 do Chanel poder aparecer de repente e teria até cubado um Ballantine’s. Mas trabalho era trabalho e já viu. Melhor fazer de conta que o Partido dos Trabalhadores pertencia aos operários, do que juramentar em cartório que só tinha filiado aluno e professor de faculdade, e a Lassie à la Nunca Fui Santa pintar na porta e me pegar nos incorretos. Na mosca. Às 11:00 59, exatamente nos conformes do chrono do meu casio alarm, o nº 5 do Chanel recostou as matemáticas no espaldar da cadeira-confissão. Não fosse o treino das solas dos meus sapatos manterem em estado de alerta o vamos ver da profissão e já viu. Lá se ia pelo ralo o batalhão de marechais do cheque do sinal e as futuras folhas de alface das diárias à la taifeiro da marinha do Tio Sam pago em dólar. Mais orgulhoso do que o limpa-chaminés que descobriu o aparelho de escuta no gabinete dos cavalos do presidente Figueiredo naquela bendita sexta-feira, 11 de março de 1983, feliz conjugação da lua minguante com o anjo Damabiah e protegida pelas orações de Santo Eulógio, São Cândido, São Firmino, abade, e São Constantino, rei e mártir, botei o rabo do Rin-Tin-Tin em função de cumprimento e escovei o pêlo da Lassie com o resultado nota 10 do vestibular da Metro-Goldwyn-Mayer & Cia. - Eis as respostas que a senhora me pediu. A senhora pegou a pule das apostas e jogou-a para escanteio que nem o rei Dom Manuel jogou a carta do Pero Vaz nas mãos do seu aspone mas chegado. Sem ler o escrito e sem dar, sequer, a menor das espiadas nas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das moçoilas cá da terra. (Para quem não mexe com siglas administrativas, pode anotar e usar: ASPONE, assessor de porra nenhuma). Não me queixei nem de rachadura no cimento. O enfado era da Lassie e, enfado por enfado, naquele momento, para mim, valiam era as folhas de alface das diárias à la taifeiro da marinha do Tio Sam pago em dólar. Numa boa, afivelei a cara mais adequada às circunstâncias e deixei que o trem da indiferença entrasse no desvio da estação. Como sempre dizia meu velho pai e sempre dizia melhor do que ninguém, com onça mijando no cercado nem jejum de tamanduá mete gadanho em ninho de cupim. Mas, mesmo respeitando e reverenciando a memória e a sabidice do velho Eduardo da Micas do Ferreiro, não me agradou bancar o aspone do rei Dom Manuel. Afinal, os duzentos e dez quilos do diâmetro do pé-direito tinham aquartelado cem marechais, e cem marechais eram cem marechais, comando para nenhum Pentágono botar defeito ou jogar no ralo da pia da cozinha. - A senhora não vai ler? Afinal... Afinal, diz o Dicionário do Aurélio, é um advérbio, é uma palavra de classificação difícil, diz a Gramática da FENAME, e que de nada valeu à melhor intenção dos meus propósitos, digo eu. A senhora continuou rei Dom Manuel e o mais que fez foi ajeitar os acostamentos, devidamente acolchoados, na cadeira-confissão. - Eu só queria saber se o senhor fazia de conta ou trabalhava de verdade. Dizem que o que mais embasbacou o macarther Richard Nixon não foi os arapongas da Casa Branca serem pegos ao gazuar as fechaduras do edifício Watergate, foi os vigias democratas terem descoberto a cagada-mor da Olimpíadas. Eu não era cavaleiro da Távola Sempre-Em-Cima-Do-Muro, e muito menos cavaleiro da Távola Do-Lado-Mais-Direito-Do-Muro, sempre fui presidente do partido eu sou mais eu, mas deu para sentir o drama do macarther. Mas não havia de ser nada. O Tribunal de Nuremberg já tinha decidido quem era nazista e quem não era, e o meu nome não constava nem na lista do Exército da Salvação. E já que o pêlo da Lassie à la Nunca Fui Santa continuou no arranjo das escovas, meti no bolso o lenço dos assuntos e mandei ver a mais completa demonstração de coitadinho. - Mas eu posso ter errado. Talvez sensibilizado pelo tom solene da marcha fúnebre daquele posso, o foco luminoso da senhora mandou ver uma trajetória bem reta na direção do pavilhão do destino dos vinte marechais fuzilados pelos tiros-curtos do diâmetro do pé-direito e recorreu ao nº 5 do Chanel para descer do pedestal. - Não acredito. Se tivesse errado, teria tentado desconversar, como muitos já tentaram. Fez uma pausa, daquelas de melar até grama em campo de arroz vietcongue, e bancou o sorriso do presidente Geisel à la pincel adolf-heil ao assegurar a cento e trinta milhões de saudáveis brasileiros o direito à doença coletiva com a criação do Ministério da Previdência e Assistência Social. - Mas, mesmo admitindo que tivesse errado, meus parabéns. Soube disfarçar muitíssimo bem. E o que eu preciso é, justamente, de alguém que seja perito em disfarces. Disfarces, ó luz mais linda que emanas de um foco luminoso e segues uma trajetória reta em determinada direção? Disfarces sempre foram os embeurrées d’escargots da minha preferência. Então não montei o meu primeiro estaminé de olho-vivo e boca-de-siri como oficina de consertos de rádios e televisões, só porque o alvará era mais fácil e mais rápido de tirar, e a dona do primeiro sagüi que consegui pegar inteiro num dos quintais da vizinhança não achou aquela velharia o melhor disfarce que tinha visto, superior até ao do Super-homem, que só tira os óculos e ninguém consegue reconhecer a cara dele? Devidamente colados e polidos todos os cacos do meu amor-próprio ferido por aquele gesto à la rei Dom Manuel, senti-me, de novo, um Batman capaz de ganhar as 500 Milhas de Indianápolis com o Robin pilotando o batmóvel. Aceso um souza cruz com a mesma propriedade com que o Clint Eastwood acendia as pontas dos charutos em Três Homens em Conflito, puxei a mais profunda veja-só, mesmo sem ver, o resultado era visível, e esperei que o Chanel do foco luminoso seguisse uma trajetória reta na direção do cerne do assunto. Pelo menos, uma coisa parecia ser tão certa quanto a manipulação dos índices da inflação pelos sete sábios da Grécia do Ministério da Fazenda. Mesmo tendo afogado nos amazonas do velho Mora cento e vinte marechais com as medalhas de seiscentos mil cruzeiros novos e não tencionando virar cavalheiro de nenhuma indústria cinematográfica, o vestibular da Metro-Goldwyn-Mayer & Cia ia ter alguma finalidade. Só que, finalidade, sempre dizia meu velho pai e dizia muito bem, é que nem ovo de galinha. Por melhor que seja o galo, nunca se sabe em que hora vai chocar. Mas a Lassie sabia. Mesmo sem o rabo do Rin-Tin-Tin em função de, aprumou o acolchoado dos acostamentos no espaldar da cadeira-confissão e adequou também a melhor das caras ao teor da circunstância. - Meu marido é produtor e diretor de cinema, e eu quero um flagrante de adultério. - No filme? Meu velho pai sempre teve mais do que razão. Em boca fechada nem sonho de consumo mete bronca. Se o cantador de lunduns à Marquesa de Santos, o ipiranga do grito Dom Pedro I, o de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon não tivesse berrado aquele “Fico!” na cera dos ouvidos do velho Portugal, quem sabe o Tio Monroe teria escutado o som da gravidade em vez de só escutar blues nas vielas de Nova Orleans, e o Brasil teria também um cofre suíço em Fort Knox em vez de ter apenas um baita de um buraco no Fundo Monetário Internacional, FMI para quem bota no bolso o gordo % das negociações do devo, não nego, mas só pagarei quando puder? Mas genética dá nisso. Ambos com sangue coado em peúga lusitana, um único pormenor nos distinguia. O carma do cantador de lunduns já cantava ladainhas a São Pedro e o meu ainda corria atrás das minas que rebolavam no calçadão da fama da Avenida Atlântica. De resto, tanto o Fico! quanto o No filme? só não espantaram gregos e troianos porque não havia gregos nem troianos no pedaço. Mas o nº 5 do Chanel checou a multidão e o resultado foi o mesmo. - No filme? Foi a vez do souza cruz entrar numa devagar-se-vai-ao-longe, aquela faz-de-conta do começo e o fim são só substantivos. - Quer dizer, durante as filmagens. - Ainda bem que o senhor entendeu. Fazer o quê? Botar o Rin-Tin-Tin assistindo dez sessões de Garganta Profunda e prendê-lo na mesma corrente daquela Lassie vestida de perfume ou recitar mil vezes o versículo 1.2 do Livro do Pregador? Na dúvida de alguma das opções dar o resultado pretendido, enchi o oco dos pulmões com a maior café-da-manhã-completo e finis. Mas não foi o finis, fui eu que me fodi. O fumo alcatroou até as catracas do gogó e o foco luminoso seguiu a trajetória mais reta sem dar a menor bola ao meu putismo. - Há muito que eu sei dos casos dele. Mas, de repente, virou de ponta-cabeça e eu quero saber o porquê. E com quem. Dava para imaginar, perfeitamente, aquela ponta-cabeça. Com a perfeição daquela moldura à la Nunca Fui Santa em estado de disposição permanente, só mesmo um cabeçudo não passaria as mãos e os pés no original do retrato. - Realmente, deve ser uma situação desagradável. - Desagradabilíssima. Foi a minha vez de adequar a melhor das caras ao teor da circunstância. - Eu compreendo. - Por isso é que quero que o senhor participe das filmagens e me traga um flagrante. Acredite se quiser. Por que é que caem edifícios, morrem pacientes ou são condenados inocentes? Porque engenheiros, médicos e advogados colam nos vestibulares e entram nas faculdades. Que era o meu caso, embora não fosse engenheiro, médico ou advogado. Mas como também tinha colado naquele vestibular da Metro-Goldwyn-Mayer & Cia, agora, que ia entrar na faculdade das filmagens, não sabia sequer encontrar a porta do banheiro. - A senhora diz participar, como? - Como jornalista. Gostei. Como diria meu velho pai se vivo fosse, nada como um tiro no escuro para dar um relampinho. - Perfeito. - Um amigo meu arruma uma credencial e... - Não precisa. - O senhor é jornalista? Foi a minha vez de dar o troco à la sangue coado em peúga lusitana. - Se eu não fosse o melhor, a senhora não me teria procurado. Eu sei que nos campos onde correm as margens do Ipiranga cabem, sem o menor favor ou mordomia, quinhentos mil estaminés iguais ao meu, e o grito também não espantou nenhum pardal, mas que até os pelotões dos centígrados que assavam galetos nos vidros das janelas zeraram o fogo da fornalha, disso nem a credencial duvidou. O pêlo da Lassie arrepiou e o nº 5 do Chanel desviou até a direção do foco luminoso. Mas tinha que ser. Quem disse que a cavalo dado não se olha o dente nunca comprou carro nacional, ou importado via Paraguai, nos melhores conformes contrabândicos. Imaginem a mais perfeita manhã de sexta-feira, o cinema nacional em estado de graça com todos os raios do sol aplaudindo em pé a vitória do Um, cem, mil, viva Tancredo Neves, presidente do Brasil! nos festivais de Brasília, Vaticano, São João das Antenas e outros cobrindo todo o sul do estado, e um cidadão ser obrigado a engolir duas pererecas como se fosse um xarope catarral. Tem base? Mas a Lassie também tinha embocadura. Afivelou o sorriso das colunas sociais pagas à vista e mandou a trajetória do foco luminoso bem na mosca do meu olho. - Eu sei. Por isso o senhor me foi recomendado. E muito bem recomendado, pode crer. Aí, já viu, não deu outra. Amoleci. Mas amoleci, assim, não sobrou nada. A gabardine e o chapéu do Humphrey Bogart meteram o bedelho no armário dos coturnos, os 212 graus farenheit da Lauren Bacall estraçalharam o pote do sorvete e a calda escorreu até nas folhas da minha agenda top secret. - A senhora terá o seu flagrante, pode ficar tranqüila. E só preciso de quatro dados. O nome do seu marido, o nome do filme, a data e o local das filmagens. Esticada a rede e polidas as raquetes, o resto foi fácil. Bola cá, bola lá, e o Campeonato Aberto de Tênis da Rua Buenos Aires iniciou-se na mais perfeita concordância. - Nome do marido? - Zózimo Forfait. - Forfé com acento agudo? - Não. Com a, i, t. À francesa. - Certo. Nome do filme? - O Grande Cidadão e a Lenda do Cururu Voador. - Data das filmagens? - Próxima segunda-feira. - Local? - Caxambu. - Perfeito. - Procure uma reserva no Hotel Glória. O pessoal já vai estar lá desde sexta-feira. - Ótimo. - A reserva foi feita em nome de Adauto Simplício para evitar confusões. - Perfeito. Perfeito, assim, Adauto Simplício não fazia parte dos meus estepes digitais, mas não chegava a ser um problema que alguns marechais não pudessem resolver. Entre o meu retrato plastificado numa carteira de identidade e o retrato do marechal Castello Branco estampado nas notas de 5.000 cruzeiros novos, nem fiscal da Receita Federal apontaria diferenças. - Apenas um detalhe. Como poderei fazer contato, logo que termine a missão? O nº 5 do Chanel jogou no lençol um sorriso à la Doutor Fu-Manchu, mais misterioso do que técnico do São Cristóvão em dia de arranca-unha em Olaria, e mandou ver todos os missionários top secret. - Eu telefonarei. - Pra Caxambu? Reconheço que foi uma recaída daquele No filme?, mas, felizmente, a trajetória do foco luminoso seguia em outra direção. - O senhor não acha natural a secretária da revista telefonar para um repórter? - Revista? - Revista da Cidade. Não existe, já mandei verificar, mas ninguém fará perguntas indiscretas. Quando me contaram que um tal de Arthur Schopenhauer disse que a mulher era um animal de cabelos compridos e idéias curtas, eu não acreditei. De cara deu para sacar a sovaquice. Ou o elemento era anarfa em matéria de coisa fofa e não gostava de mulher, ou fissurava gengivas na dentina do Clóvis Bornay e mandava ver a mais colante fantasia nos bailes daquele carnavalão acaba eu. Sem retoque e sem retorno. Porque, se alguma vez tivesse caçado codornizes no calçadão da fama da Avenida Atlântica, nem o mais requentado chope trocaria cabelos por idéias. Nem morto, viu, ô filosofia sovacal? - Mais que perfeito. Cheirava a essência de D. Maricota, aquela admiradora fissurada das duzentas mil páginas de A Retirada da Laguna dos meus tempos de colégio, mas não causou nenhum estrago na estrutura ambiental. Com a maior tranqüilidade, o nº 5 do Chanel passou a retirada no ferro e perfumou a pestilência das águas estagnadas da memória e da Laguna, e pronto, resolvido o problema da gramática. - Ótimo. O Campeonato Aberto de Tênis da Rua Buenos Aires terminou, exatamente, como tinha começado. Na mais perfeita concordância. Apenas, retirada a rede e guardadas as raquetes, o campo foi invadido pelos pelotões de centígrados e o estaminé voltou a ser o que sempre tinha sido. Um forde-de-bigode batendo pino na Ladeira do Monte do Calvário e a essência do alcatrão refinando na fornalha habitual. Com o Rin-Tin-Tin já de língua caída e o rabo em função de acendedor de lamparinas, a Lassie refrescou o pêlo com o resto do frasco de Chanel e mandou ver a trajetória do foco luminoso na direção reta da porta de saída. - Telefonarei na próxima semana. - Quem sabe já terei alguma coisa? Com o ponto de interrogação fuzilado pelos pelotões dos centígrados, a porta foi fechada como tinha sido aberta. Sem nenhum resquício de barulho nem tiques de nervoso, e eu pude cubar um bem merecido Ballantine’s e seguir também o meu destino na direção da caixa-forte. - Meu prezado, bons ventos o tragam e boas águas o levem. Abanque-se. Disparado o primeiro tiro-curto, o velho Mora abriu as comportas dos amazonas represados e carregou a garrucha com nova dose polvoreira. - Em que é que este pobre doutor Watson pode servir o grande Holmes? Abanquei um souza cruz e, olho no olho, puxei a primeira cautelosa. Quem sabe o pé-direito esquecia a circunferência do diâmetro e pagava, na graciosa, o trabalho da minha entrada no Café Lamas? Como dizia meu velho pai antes da chuva, tentar não custa, custa é pagar a tentação. - Preciso da tradução. - Cem pilas. - Mas não eram cinqüenta? - Meu prezado, você disse tudo. Eram. - E a nossa amizade? - Vai bem, obrigado. Fazer o quê? Chamar o Dirty Harry e os amigos Smith & Wesson e pedir ao Clint que aplicasse um Impacto Fulminante no pé-direito do diâmetro ou abrir as portas do quartel e desfraldar a bandeira do adeus? O velho Abílio Quitandeiro, vascaíno roxo e meu falecido tio e padrinho, não era muito chegado a banhos, mas entendia de sabões. Deus dá as nozes a quem sabe comê-las. Ou eu picava mais vinte marechais ou a Revista da Cidade corria o risco de ficar sem o seu melhor repórter. E revista sem repórter, já viu. Era taifeiro sem direito a diárias à la marinha do Tio Sam pago em dólar. Analisada a insustentável consistência dos ou, ou, não tinha jeito maneira. Ou eu pagava ou não haveria mais diárias. - Certo. Perfilados os vinte marechais no campo de manobras do morro da Babilônia, a tradução da epístola aos Incréus virou Mandrake nas mãos do pé-direito. - Ei-la. Não é todo dia que se come um filé de cliente pagando só a sobremesa, meu prezado. E assim terminou o primeiro rolo do filme. Do exército dos seiscentos marechais sobrou apenas um comício de dois mil e trezentos barões. Valha a verdade, quantia ainda deveras combinável, já que com a vitória do filme Um, cem, mil, viva Tancredo Neves, presidente do Brasil! nos festivais de Brasília, do Vaticano, de São João das Antenas e outros cobrindo todo o sul do estado, a partir do dia 15 de março, com as bênçãos do anjo Rochel e dos santos Longino, Luísa de Marillac, religiosa, e Leocrécia, até a Bolsa de Valores de Caxambirra do Norte negociaria melhor qualquer mercadoria futura com os quepes militares batendo continência no campanário das urtigas e dando tiros nas culatras das despedidas sem retorno. |
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CUNHA DE LEIRADELLA Casa das Leiras . São Paio de Brunhais |
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