JOSÉ VERDASCA
José Verdasca dos Santos. 79 anos, licenciado em Ciências Militares pela Academia Militar de Lisboa; em língua e cultura francesas pela Alliance Française; licenciado e pós-graduado em administração/gestão de empresas pela Universidade Mackenzie de São Paulo. Membro do Parlamento Mundial para Segurança e Paz (Itália), de dez academias brasileiras, da Sociedade de Geografia de Lisboa; diretor de relações internacionais das Faculdades Panamericanas e da Associação Alagoana de Imprensa. Condecorado pelo Parlamento de São Paulo com a "Honra ao Mérito" duas vezes e pela Câmara Municipal de São Paulo com "Laurea de Gratidão" além de cerca de vinte outras láureas acadêmicas. Tem oito livros publicados, além de artigos em revistas de cultura, poemas e centenas de outros na imprensa francesa, sul africana, brasileira e portuguesa. Presidente da Ordem Nacional de Escritores (Brasil).
PROJETO «JOÃO SARMENTO PIMENTEL»
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João Maria Ferreira Sarmento Pimentel (1888-1987) I

João Maria Ferreira Sarmento Pimentel (1888-1987) II

JOÃO MARIA FERREIRA SARMENTO PIMENTEL (III)

Sarmento Pimentel (O Capitão) – forte personalidade, brilhante inteligência, temperamento irrequieto, espírito audaz – deixou a sua marca na passagem pela presidência da Casa de Portugal de São Paulo, a maior e mais abrangente das associações sócio culturais luso-brasileiras da cidade, de que foi fundador (13/julho/1935) e Presidente da Diretoria de 13 de março de 1940 a 14 de fevereiro de 1941.

Desde a fundação - e nos seus primeiros cinco anos de existência – a Casa de Portugal de São Paulo, idealizada por Ricardo Severo, teve uma existência atribulada, consequência do individualismo dos e/imigrantes lusos, do egocentrismo de muitos, da inveja de alguns e da vaidade de uns poucos, reconhecidos atributos da idiossincrasia dos lusitanos, que sempre tumultuaram a nossa união e a grandeza do todo,  principalmente quando nos encontramos expatriados.

Sarmento Pimentel – espírito superior – abominava mesquinharias, odiava rivalidades menores, desprezava pequenas querelas, pelo que se manteve alheado das quezílias pouco nobres que ensombravam a existência e o progresso da associação que ajudou a criar. Entretanto – “quando viu o caso mal parado” – resolveu derrubar de vez os obstáculos que alguns vinham criando, e que estavam impedindo a viabilidade do sonho da Comunidade Portuguesa de São Paulo. E, como sempre, fez jus ao posto de Capitão que o celebrizou.

Como militar, valeu-se da tática/estratégia aprendida na Escola do Exército, e – após congregar os melhores companheiros, atraindo-os para a sua causa – decidiu tomar a sede da Casa “manu militari”, convocando uma reunião da Comissão Organizadora para 13 de março de 1940, da qual a comunidade teve conhecimento pela ata de 15/03/40, que em novo livro consubstanciou também o novo rumo imprimido à associação pela nova diretoria. Eis a citada ata:

“Aos quinze dias do mês de março de 1940, pelas vinte e uma horas, na sala de sessões da Casa de Portugal, â Rua Riachueleo, número 30, sobrado (casa), nesta cidade de São Paulo, reuniram-se, sob a presidência do sr. João Sarmento Pimentel, os senhores que acima assinaram, e que assim tomam posse dos respetivos cargos na Diretoria Central, conforme eleição levada a efeito pela Assembleia Representativa, em sua reunião de treze do corrente”.

Estava salva a “Honra do Convento”, através de um “golpe de Estado” que sem consultar o “regime” anterior tomou posse da “Instituição”, impôs novo “governo” e serviu de “exemplo” para um outro trinta e quatro anos depois. Esta ação de comando de Sarmento Pimentel traduz – mais que qualquer outra – a personalidade do guerreiro de quem estamos falando, que, passado apenas um ano, entregou a diretoria e a Casa a um novo e conceituado grupo de patriotas, a quem se ficou devendo a construção do “Palácio” sede da Casa, que ainda hoje honra a Comunidade Luso-brasileira de São Paulo.

Sem apego a cargos e ou funções – que “dignificam” aqueles que os deveriam HONRAR – o Capitão foi Presidente da Casa apenas durante um ano, tempo suficiente para “varrer o lixo, desinfetar o ambiente e trocar de móveis”, para que não restassem “vírus, bactérias ou quaisquer infecções residuais”, que impedissem o sadio progresso da Casa Mater dos portugueses desta capital. E anos mais tarde, o seu nome foi dado a um grande Colégio Estadual do bairro de Itaquera, onde os seus pedagógicos exemplos servem de lição a milhares de jovens paulistanos.

São Paulo, 15 de fevereiro de 2016

                  José Verdasca

 
 

Diretório aberto a 19 de dezembro de 2014

 

 




 



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