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Maria Estela Guedes
Foto: Ed. Guimarães

Perigeu lunar no Dia da Poesia

Saúde aos poetas! Coincidem quase o dia deles, ou nosso, o início da primavera e o perigeu lunar. É olhar pela janela e ver como a Lua está imensa, de tão próxima e camarada. Inspiradora, sem dúvida. Infelizmente, as fotos que lhe tirei ficaram uma nódoa. Paciência, os tempos já se sabe que são de crise, não temos, no TriploV, maquinaria sofisticada. Aliás, no TriploV, não temos quase nada, exceto uma tremenda imaginação poética.

Para minorar o mau aspeto da foto do perigeu lunar, fique uma foto ainda mais inspiradora: uma cabecita primaveril  que só há dias saiu da letargia hibernante e agora desperta para o mundo, numa curiosidade sem fim. Imaginemos que é um juvenil, uma criaturinha simpática que tem a casa nos buracos dos muros, agita a cauda, sardanisca por essas paredes, é nossa vizinha e amiga.

Queria apenas saudar-vos, poetas! Feita S. Francisco, ou talvez Santo António, falo às lagartixas, quando preferíeis que falasse do estado político de Portugal. Não sei falar de política, quem sabe disso são os políticos. Falam muito da crise e dos seus problemas eleitorais, alguém os consegue ouvir ainda? É de eleições que mais precisamos ou de comida, trabalho, uma boa máquina fotográfica, que apanhe à certa o perigeu lunar?

Era útil que os políticos se calassem e começassem a fazer, fazer alguma coisa, apontassem um modo de vida, dessem algumas receitas de como sobreviver sem dinheiro, sem emprego, sem uma luz no horizonte que nos guie, a não ser essa Lua tremendamente insolente que se ergue na noite como um candelabro, a lembrar aos poetas que continua a ser musa como antigamente.

E depois chega a primavera, o dia alonga-se, mais uma vez, havemos de sobreviver.

Perigeu lunar: a Lua alcança o ponto mais próximo da Terra nos últimos 20 anos
Observação em Britiande (5100-Portugal), 19.03.2011,cerca das 19:00h

A primavera faz-se anunciar dos modos mais variados: em cima, a lagartixa dos muros, à coca; em baixo, as magnólias começam a florir, com os cuidados de Carlos Lucena.

Maria Estela Guedes (1947, Britiande / Portugal). Diretora do Triplov

Membro da Associação Portuguesa de Escritores, da Sociedade Portuguesa de Autores, do Centro Interdisciplinar da Universidade de Lisboa e do Instituto São Tomás de Aquino. Directora do TriploV.

LIVROS

“Herberto Helder, Poeta Obscuro”. Moraes Editores, Lisboa, 1979;  “SO2” . Guimarães Editores, Lisboa, 1980; “Eco, Pedras Rolantes”, Ler Editora, Lisboa, 1983; “Crime no Museu de Philosophia Natural”, Guimarães Editores, Lisboa, 1984; “Mário de Sá Carneiro”. Editorial Presença, Lisboa, 1985; “O Lagarto do Âmbar”. Rolim Editora, Lisboa, 1987; “Ernesto de Sousa – Itinerário dos Itinerários”. Galeria Almada Negreiros, Lisboa, 1987 (colaboração e co-organização); “À Sombra de Orpheu”. Guimarães Editores e Associação Portuguesa de Escritores, Lisboa, 1990; “Prof. G. F. Sacarrão”. Lisboa. Museu Nacional de História Natural-Museu Bocage, 1993; “Carbonários : Operação Salamandra: Chioglossa lusitanica Bocage, 1864”. Em colaboração com Nuno Marques Peiriço. Palmela, Contraponto Editora, 1998; “Lápis de Carvão”. Apenas Livros Editora, Lisboa, 2005; “A_maar_gato”. Lisboa, Editorial Minerva, 2005; “À la Carbonara”. Lisboa, Apenas Livros Lda, 2007. Em co-autoria com J.-C. Cabanel & Silvio Luis Benítez Lopez; “A Boba”. Apenas Livros Editora, Lisboa, 2007; “Tríptico a solo”. São Paulo, Editora Escrituras, 2007; “A poesia na Óptica da Óptica”. Lisboa, Apenas Livros Lda, 2008; “Chão de papel”. Apenas Livros Editora, Lisboa. 2009; “Geisers”. Bembibre, Ed. Incomunidade, 2009; “Quem, às portas de Tebas? – Três artistas modernos em Portugal”. Editora Arte-Livros, São Paulo, 2010. “Tango Sebastião”. Apenas Livros Editora, Lisboa. 2010. «A obra ao rubro de Herberto Helder», São Paulo, Editora Escrituras, 1010.

ALGUNS COLECTIVOS

"Poem'arte - nas margens da poesia". III Bienal de Poesia de Silves, 2008, Câmara Municipal de Silves. Inclui CDRom homónimo, com poemas ditos pelos elementos do grupo Experiment'arte. “O reverso do olhar”, Exposição Internacional de Surrealismo Actual. Coimbra, 2008; “Os dias do amor - Um poema para cada dia do ano”. Parede, Ministério dos Livros Editores, 2009. Entrada sobre a Carbonária no Dicionário Histórico das Ordens e Instituições Afins em Portugal, Lisboa, Gradiva Editora, 2010.

TEATRO

Multimedia “O Lagarto do Âmbar, levado à cena em 1987, no ACARTE, Fundação Calouste Gulbenkian, com direcção de Alberto Lopes e interpretação de João Grosso, Ângela Pinto e Maria José Camecelha, e cenografia de Xana; “A Boba”, levado à cena em 2008 no Teatro Experimental de Cascais, com encenação de Carlos Avilez, cenografia de Fernando Alvarez  e interpretação de Maria Vieira.