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	<title>TriploG</title>
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	<pubDate>Mon, 14 May 2012 21:47:18 +0000</pubDate>
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		<title>Oscar Wilde - A paixÃ£o de uma vida</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 21:47:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís Reis - Editor TriploG</dc:creator>
		
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Â â€œAlgo belo Ã© uma alegria para sempreâ€John Keats
 Nascido em Dublin, em 1854, filho de um mÃ©dico famoso e uma escritora, desde crianÃ§a Oscar Wilde evidenciou sua vocaÃ§Ã£o literÃ¡ria sempre se cercando de livros e intelectuais. De famÃ­lia rica, teve oportunidade de cursar os melhores colÃ©gios e a famosa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='posterous_autopost'>Â» Por: Paulo Azevedo Chaves - <a href="http://interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=698&amp;catid=0">InterpoÃ©tica</a>
<p />Â â€œAlgo belo Ã© uma alegria para sempreâ€<br />John Keats
<p /> Nascido em Dublin, em 1854, filho de um mÃ©dico famoso e uma escritora, desde crianÃ§a Oscar Wilde evidenciou sua vocaÃ§Ã£o literÃ¡ria sempre se cercando de livros e intelectuais. De famÃ­lia rica, teve oportunidade de cursar os melhores colÃ©gios e a famosa universidade de Oxford, na Inglaterra.
<p /> O espÃ­rito rebelde e inconformista, a inteligÃªncia brilhante, o humor fino e sarcÃ¡stico logo fizeram com que sobressaÃ­sse entre os jovens de sua geraÃ§Ã£o. Em 1885, casou-se, em Dublin, com Constance, filha de um advogado irlandÃªs de renome.
<p /> Sua obra literÃ¡ria, a partir de entÃ£o, Ã© vasta e diversificada. Ensaios, contos, novelas, peÃ§as de teatro construÃ­ram uma sÃ³lida reputaÃ§Ã£o entre os seus contemporÃ¢neos. Em 1891, lanÃ§ou uma de suas obras mais famosas â€“ O Retrato de Dorian Gray, cujo personagem-tÃ­tulo se mantÃ©m sempre jovem e belo atravÃ©s das dÃ©cadas, as marcas da passagem do tempo e de seu espÃ­rito depravado e cruel se evidenciando numa pintura que o retratava. O final Ã© tÃ£o inesperado quanto trÃ¡gico: Dorian apunhala a hedionda figura do quadro e, no mesmo instante, morre incorporando as caracterÃ­sticas fisionÃ´micas do modelo retratado, enquanto a figura na pintura readquire a antiga beleza impregnada de inocÃªncia.
<p /> JÃ¡ entÃ£o rumores sobre a sua homossexualidade eram assunto de fofocas constantes nos SalÃµes aristocratas ingleses. Seu envolvimento com o belo Lord Alfred Douglas eram tÃ£o notÃ³rias que o pai do jovem, o marquÃªs de Queensberry, lhe endereÃ§ou uma carta desaforada, proibindo-o de ver o filho. Em resposta, Wilde teve uma atitude inesperada e estÃºpida: processou o marquÃªs por calÃºnia e difamaÃ§Ã£o. Mas como tinha culpa no cartÃ³rio, resolveu desistir do processo. Tarde demais. Provas contundentes de seu relacionamento com Bosie (como tratava na intimidade Alfred Douglas) comeÃ§aram a aparecer e Wilde foi a julgamento.
<p /> Na Inglaterra, a prÃ¡tica homossexual sempre foi muita difundida em todos os estratos da sociedade. Mas o paÃ­s tambÃ©m era conhecido pelo rigor de suas leis contra o homossexualidade. Diferentemente de outros paÃ­ses europeus, em que sÃ³ a seduÃ§Ã£o de menores de idade era punida com rigor, a prÃ¡tica homossexual envolvendo adultos era â€“ e continuou a ser atÃ© anos recentes â€“ punida na Inglaterra vitoriana com a pena de reclusÃ£o por dois anos com trabalhos forÃ§ados. Ã‰ um paradoxo que sÃ³ a proverbial hipocrisia inglesa pode explicar: um povo tÃ£o dado Ã s relaÃ§Ãµes entre as pessoas do mesmo sexo ser tambÃ©m tÃ£o severo na puniÃ§Ã£o daqueles que praticavam â€œo amor que nÃ£o ousa dizer o seu nomeâ€ (expressÃ£o criada pelo prÃ³prio Wilde). Assim, no auge da fama, o autor de mais prestÃ­gio na Inglaterra de sua Ã©poca Ã© condenado a dois anos de reclusÃ£o em Reading. Em sua sentenÃ§a, o juiz diz a certa altura: â€œ&#8230; Ã‰ o pior caso que jamais julgueiâ€. A paixÃ£o dos ingleses por seu escritor mais famoso e ilustre se transformara em Ã³dio. Seus livros sÃ£o recolhidos das livrarias, suas comÃ©dias sÃ£o retiradas de cartaz nos melhores teatros londrinos, seu patrimÃ´nio Ã© leiloado para pagamento das custas do processo e de seu advogado. Mas em nenhum momento Oscar Wilde se acovardou ou mostrou arrependimento por seus affairs com rapazes ingleses e seu caso de amor com Bosie. Muito pelo contrÃ¡rio: no julgamento fez uma defesa apaixonada do amor entre pessoas do mesmo sexo . Vale Ã  pena ler um trecho: â€œ&#8230;O amor que nÃ£o ousa dizer seu nome neste sÃ©culo Ã© a grande afeiÃ§Ã£o de um homem mais velho por um homem mais jovem, como aquela que houve entre Davi e JÃ´natas, o amor que PlatÃ£o tornou a base de sua filosofia, o amor que se pode achar nos sonetos de Michelangelo e Shakespeare. Ele Ã© bonito, Ã© bom, Ã© a mais nobre forma de afeiÃ§Ã£o. NÃ£o hÃ¡ nada que nÃ£o seja natural nele. Ele Ã© intelectual e repetidamente existe entre um homem mais velho e um homem mais novo, quando o mais velho tem o intelecto e o mais jovem tem toda a alegria, a esperanÃ§a e o brilho da vida Ã  sua frenteâ€.
<p /> Entretanto, os inimigos de Oscar Wilde nÃ£o prevaleceram. DestruÃ­ram o homem fÃ­sico, mas nÃ£o a perenidade de seu prestÃ­gio, de seu valor literÃ¡rio e de sua paixÃ£o latu senso. Ele defendeu sempre sua orientaÃ§Ã£o sexual, o seu envolvimento apaixonado pelo Verdadeiro e pelo Belo. Afinal, como escreveu o grande poeta romÃ¢ntico inglÃªs John Keats, â€œBeleza Ã© verdade, verdade beleza -eis tudo que sabeis na terra e tudo que precisais saberâ€. Ã‰ significativo que na prisÃ£o de Reading Oscar Wilde tenha escrito talvez suas duas obras mais importantes: o poema Balada do CÃ¡rcere de Reading e o pungente e o sofrido De Profundis, uma longa carta escrita ao seu amigo Ã­ntimo Lord Alfred Douglas.
<p /> Ao sair da prisÃ£o, em 1897, Wilde transferiu-se para Paris, adotando o pseudÃ´nimo de Sebastian Melmouth, Pobre e abandonado por todos, inclusive por seus dois filhos, que chegaram a trocar de nome para nÃ£o serem reconhecidos como seus descendentes, o autor do De Profundis morreu, em 1900, de meningite, num quarto de hotel barato na capital francesa. Apenas duas pessoas estavam presentes no enterro: o amigo Robert Boss e Lord Alfred Douglas, pivÃ´ de sua tragÃ©dia pessoal. AliÃ¡s, sobre Bosie deve-se reconhecer e elogiar sua fidelidade ao mentor e amigo Ã­ntimo mais velho: alÃ©m de pagar seu enterro, em 1938 o filho do implacÃ¡vel marquÃªs de Queensberry dÃ¡ o troco ao pai e publica um livro autobiogrÃ¡fico, balanÃ§o de toda a sua vida, com o tÃ­tulo sugestivo de Without Apology (Sem Desculpas). Neste livro, ele relembra sem pudor os sentimentos que o uniram a Wilde. E em seu fecho bem que poderia ter citado estes versos do Soneto 29, de William Shakespeare: â€œPois teu doce amor relembrado tal riqueza traz/ Que desdenho trocar com reis o meu estadoâ€.
<p /> Â 
<p />Paulo Azevedo ChavesÂ (jornalista, poeta e cronista)<br />Casa Branca, JaboatÃ£o dos Guararapes, marÃ§o/2007</div>
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