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OUTRAS PAISAGENS

January 12th, 2010 por: Luís Reis - Editor TriploG

Neres escreveu:
*Fonte: *Correio das Artes, dezembro de 2009. Suplemento cultural do jornal paraibano A União, 09 de janeiro de 2010.
http://www.paraiba.pb.gov.br/images/stories/editais/correio_das_artes10_01_2010.pdf

OUTRAS PAISAGENS

A poesia de José Geraldo Neres

Por André Ricardo Aguiar *

A poesia dita pelos sopros, cantada em imagens oníricas, destilada numa corredeira de sons e sensações - esta é a eletricidade que José Geraldo Neres vem buscar o leitor neste seu /Outros Silêncios /(São Paulo: Escrituras, 2009). Sob a base de incontáveis motivos, entre eles, as forças da natureza, as emanações do corpo e da sombra, dos zoos encantatórios e paisagens marítimas e fluviais, o poeta nos traz sem medo um caldeirão de incandescências. É poesia que tem eco em Rimbaud, Mallarmé, Whitman, Murilo Mendes. Segundo Claudio Willer, no prefácio, é “algo assemelhado à relação diante do espelho, no qual o reflexo é o inverso fiel do objeto refletido”. E podemos ver em exemplo felizes como:

/a vida caminha em suas pernas & uma serpente pergunta/Que horas são. Perdi a confiança nos relógios. Siga seu caminho./ Os ponteiros são duas crianças com cheiro de suicídio./

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José Geraldo é um poeta de elevação, de uma dicção que vai um pouco na contramão da poesia cerebral, mínima, metricamente racional que grassa na maior parte da nossa identidade poética brasileira. No entanto, mesmo em reconhecido fôlego, seu verso respira músculo, retesamento. Nada é gratuito, embora soe visionário e baile em cintilações loucas. Como no poema “No dorso do enigma”, onde crava:

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/A poesia transborda no dorso do enigma/ Estou longe de mim no fundo dos olhos do centauro/O mundo me habita e uma aquarela espera o seu galope/Dentro da infância busco atravessar a ponte/

/ /

Em toda essa mirada, o signo do descontentamento do tempo ou do espaço: algo que transborda, o eu que se distancia, a imensidão que se entranha e a infância em busca do resgate – sementes daquilo que só a poesia é capaz de ganhar/perder nesse percurso do poeta que reflete o mundo (e o nomeia com um sentido suplementar).

Afora isso, o que nos reserva /Outros Silêncios/? A capacidade de abarcar sem peias este estado respiratório que as coisas traem em nós. Sabe muito bem o poeta onde as “sombras tocam flauta”. Todo este som e fúria, no seu canto peculiar significa mais e mais abismos eloquentes, de onde corpo, morte, tempo, vida são todos afluentes. O rio de José Geraldo Neres não é cristalino, mas nunca se deixa turvar nas obviedades enigmáticas da poesia que finge fundo onde não tem.. É palavra assegurada de realidade transfiguradora.

**N*asceu em Itabaiana-PB em 1969. Atualmente, mora em João Pessoa. Cursou faculdade de jornalismo e letras. Começou com os livros de poemas /A Flor em Construção/ e /Alvenaria/. Colaborou em revistas como Correio das Artes, Crispim, Poesia Sempre, Ficções (Portugal), Zunái, Cronópios, Germina. Ingressou na literatura infantil com /O rato que roeu o rei/ (Rocco) e /Pequenas reinações/. Também editou um livro de crônicas, /Bagagem Lírica/.


Conheça: Outros silêncios (Escrituras Editora, 2009), novo livro de poesias de José Geraldo Neres
Prêmio ProAC - Programa de Ação Cultural, 2008, Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

http://www.escrituras.com.br/livro.php?isbn=9788575313183

José Geraldo Neres
site: www.palavreiros.org
novo blog: http://neres-outrossilencios.blogspot.com

e-mail: jgneres@uol.com.br
ou: neres@palavreiros.org
ou: outrossilencios@gmail.com

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Um Comentário

  1. otoniel ajala dourado

    DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA…

    “As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
    têm direito inalienável à Verdade, Memória,
    História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

    O MASSACRE APAGADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

    No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi o MASSACRE praticado por forças do Exército e da Polícia Militar do Ceará em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do Sítio da Santa Cruz do Deserto ou Sítio Caldeirão, que tinha como líder religioso o beato “JOSÉ LOURENÇO”, paraibano de Pilões de Dentro, seguidor do padre Cícero Romão Batista, encarados como “socialistas periculosos”.

    O CRIME DE LESA HUMANIDADE

    O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

    A AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

    Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará É de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira e pelos Acordos e Convenções internacionais, por isto a SOS - DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo que: a) seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) sejam os restos mortais exumados e identificados através de DNA e enterrados com dignidade, c) os documentos do massacre sejam liberados para o público e o crime seja incluído nos livros de história, d) os descendentes das vítimas e sobreviventes sejam indenizados no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

    A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

    A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, redistribuída para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá foi extinta sem julgamento do mérito em 16.09.2009.

    AS RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

    A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do Sítio Caldeirão é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do Sítio Caldeirão não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

    A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

    A SOS DIREITOS HUMANOS, igualmente aos familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo desaparecimento forçado de 1000 pessoas do Sítio Caldeirão.

    QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

    A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem encontrar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes procurados no “Geopark Araripe” mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?

    A COMISSÃO DA VERDADE

    A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e que o internauta divulgue esta notícia em seu blog, e a envie para seus representantes na Câmara municipal, Assembléia Legislativa, Câmara e Senado Federal, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal que informe o local da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão.

    Paz e Solidariedade,

    Dr. OTONIEL AJALA DOURADO
    OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
    Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
    Membro da CDAA da OAB/CE
    www.sosdireitoshumanos.org.br

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