ENCONTRO COM O CONDE DE LAUTRÉAMONT
Talvez não acreditem, mas é verdade, hoje estive com Lautréamont.
Sim, Lautréamont, aquele que escreveu Les Chants de Maldoror.
Eram para aí seis da tarde, quando tocou a campainha. Abri a porta:
e ali estava ele! em carne e osso.
Espantado, disse-lhe :
Lautréamont, mas que surpresa ! pensei que te encontravas morto.
Ao que ele respondeu :
Sim, de facto morri, mas continuo vivo no livro que tens na mão.
Foi então que poisei os olhos sobre aquele livro e li:
belo como o encontro casual entre uma máquina de costura e um
guarda-chuva numa mesa de dissecção
Assim que ergui de novo os olhos, Lautréamont já tinha desaparecido.
Num impulso, corri até à janela, que dá para o lado da estrada, e ainda
o avistei, esfumando-se na orla do horizonte, montado numa bicicleta
freudiana.
Quando voltei à sala de estar, reparei que sobre a mesa se encontravam
uma garrafa de vinho Cabeça de Burro , Douro, Reserva 1999, e dois
copos vazios. Junto encontrava-se também uma folha de papel, muito antiga,
onde se podia ler:
Luís, obrigado por esta boa pinga. Lautréamont, ton ami. Salut!
Luís Costa, Züschen 19 de novembro 2009
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