O CORPO E O SANGUE


(alVIII

205. Começou a Primavera com chuva miudinha: gotículas d' água, de sangue e de tinta.

A minha profissão: reaprender a ver; retomar o ritmo da dança de Deus, aos Pés do Mestre; recuperar a Tradição, o tracejado de um desenho geométrico, geminado ao caos.

Não hesitar perante as pausas: perseguir o silêncio, no texto nascente como o Sol.

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209. A leitura em voz alta, todos os dias, das Escrituras, enuncia o tema das nossas meditações, atento à liturgia, contemplativo d'arte sacra em oração.

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214. Espero a minha morte, sem serenidade, como se esperasse a minha última possibilidade de vida. Espero a minha morte com necessidade.

Sem morte não há ressurreição.

216. O corpo e o sangue dão sentido à alma

A alma dá sentido ao espírito

O espírito dá sentido ao homem

O homem dá sentido a Deus

Deus dá sentido ao Seu Verbo, que se fez Homem
 

IX
 

238. A concisão cria desejo; a prolixidade, mesmo nas coisas excelentes, fastio.

241. Quando o mundo for reconquistado pelos seus reis legítimos e lúcidos, aconselhados por loucos de Deus e poetas loucos, só se declarará, entre os povos, a Grande Guerra Santa do Amor, que dá morte para haver ressurreição.

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247.............. Os pseudo-artistas sorriem, dessacralizados e domesticados. As catedrais europeias, sem um único seminarista, erguem-se no meio de grandes desertos espirituais, onde Deus é tão inverosímil como uma várzea, e só atraem multidões de saloios americanos. Arquitectos ateus edificam igrejas que se parecem com piscinas de inverno....................