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De Portugal, O Anjo vem das Lájeas:
uma asa partida, outra desfeita,
desfigurado e pálido, com lágrlmas,
tão ébrio de vergonha, cambaleia.
Só o poeta vê o Anjo e mais ninguém;
só ele, por natureza, é bom vidente:
contempla o Invisível por imagem
e toca no visível, estando ausente.
Só o poeta, voz do povo, fala ao Anjo,
o qual lhe dá noticias do Pai Santo
e tarnbém d'Anti-Cristo e seu ataque.
Engolfam-se pIo Golfo à pressa, aos uivos,
raivosos cães, que fingem ser soldados,
sedentos de petróleo, sangue e saque.
Lx.' 16.III.03, 2º Domingo da Quaresma.
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