Ainda Tancos e os seus paióis

VASCO LOURENÇO

Ainda Tancos e os seus paióis (pequena reflexão/especulação)

 

Com toda a especulação que continua a ser desenvolvida à volta do “assalto a Tancos”; com toda a desinformação que resulta das versões contraditórias que vêm sendo desenvolvidas; com o escandaloso aproveitamento político, de ataque ao Governo, que a Oposição vem tentando, não hesitando em deitar mão de todos os seus agentes – declarados e encapotados; apetece-me especular um bocado sobre o que terá, de facto, acontecido.

Para isso, parto de uma convicção profunda, que alicercei com base nos vários elementos divulgados, no meu conhecimento próprio, fruto de uma experiência de vida plena de situações complicadas e na minha capacidade de análise e raciocínio que, passe a imodéstia, considero bastante razoável: Não houve assalto nenhum!
Houve apenas um simulacro, uma farsa, com objectivos diversos (em teoria) que apenas uma investigação capaz poderá esclarecer.

Comecemos por perguntar: Quem e porquê simulou o assalto? Quais os objectivos a alcançar?

Houve apenas um objectivo, sabiamente aproveitado por outros. Ou houve vários objectivos que se conjugaram entre si?
Clarificando um ponto essencial: existindo falta de material nos paióis, ela devia-se a furto prolongado ou apenas a consumo não registado atempadamente? Ou estaremos perante a conjugação das duas razões que desfalcaram a existência do material no paiol, isto é, furto e consumo? Que, ao simular-se o assalto, foram automaticamente justificadas!
Passemos agora a outra importante questão: Porquê, agora, no rescaldo dos incêndios de Pedrógão, com toda a tragédia que os acompanhou?
É evidente que o agora só pode ter resultado de duas hipóteses:
. Ia haver conferência de material, porventura provocada por alteração de responsabilidades;
. Foi decidido (por quem?, a que nível?) criar um facto político que permitisse um ataque ao governo (o rescaldo dos incêndios potenciava o resultado de novo “malogro” na acção governativa…).Podendo sempre admitir-se que é a necessidade de justificar as faltas de material que abriu as portas à hipótese da criação do facto político.
Como diriam vários inspectores dos filmes policiais, “nada é de excluir! Não se pode desprezar qualquer hipótese…!”
As cumplicidades dos vários intervenientes públicos, claramente manifestadas e desmascaradas, permitem-nos todas as ilações…! Isto é, a iniciativa, no agora, pode ter partido de quem necessitava de justificar a falta de material ou de quem, sabedor da situação, decidiu a criação do facto político…

Tentemos, então, criar um enredo para o que aconteceu.

Primeira hipótese
Conhecedores da falta de material (quem, a que nível?), sabedores de que viria a proceder-se a um inventário, um grupo de militares simulou um assalto aos paióis.

Segunda hipótese
Sabedores da existência de falta de material, elementos da Oposição combinam com militares simular um assalto. O objectivo seria, neste caso, a criação de um facto político que permitisse um ataque ao governo, e não a justificação do material em falta. Essa justificação seria apenas a resultante natural da farsa a criar.
Em qualquer das hipóteses, aos elementos da Oposição caberia a responsabilidade da preparação da exploração pública do falhanço do Exército, numa óptica de alarmismo catastrófico.
Para isso, prepararam alguns agentes da comunicação social (directores, jornalistas, comentadores?), pois era essencial criar o pânico, o temor da insegurança, a descredibilização das autoridades, aos vários níveis.
Feitos os buracos na rede de protecção – parece que havia duas e eles apenas furaram a primeira –, lançado o alerta, a que assistimos?
A comunicação social (nomeadamente o jornal “Expresso”) toma conta da situação, cria-se na população a convicção de que “vem aí o terrorismo!”, “vem aí o crime organizado!” “Portugal é um país inseguro, onde nem o Exército consegue guardar as suas próprias armas!” (pior que os donos de galinheiros, haveria mesmo quem o afirmasse…).
Para começar, procura criar-se a ideia de que o assalto a Tancos permitiria aos grupos terroristas e aos de crime organizado o intensificar das suas acções criminosas. Como se, sem esse assalto, uns e outros não tivessem onde se abastecer de armas, munições e explosivos!
À criação da onda de choque, de pânico e confusão, os principais protagonistas mostravam-se, na sua maioria, desnorteados, mas não se coibiam de lançar palpites sobre a enorme gravidade do sucedido e das suas possíveis consequências. Enquanto isso, os manobradores continuavam a sua acção, especialmente através da comunicação social.
Para começar, “a lista do material roubado”, que as autoridades portuguesas se recusavam a divulgar, é publicada num jornal minorca de Espanha, jornal da direita mais conservadora, que se destacara há poucos dias por lançar a atoarda de que “as autoridades portuguesas haviam recusado o apoio dos bombeiros da Corunha, para combater os incêndios que devastavam Portugal”.
Atónitos, ainda estremunhados, os portugueses assistem à divulgação de relatórios jornalísticos pormenorizados do “assalto”. Só faltou mesmo divulgarem o vídeo do mesmo (o Expresso esmerou-se nisso, o Correio da Manhã tentou com ele competir …).
A propósito, espero que os investigadores das polícias (militar e civil) já tenham apertado com os jornalistas que assinaram os textos em causa. A pormenorização do “assalto” foi tal que as fontes só podem ter sido os próprios assaltantes…
Tomemos nota da especulação que se vem fazendo, sobre a chegada, atempada ou não, da informação da existência do “assalto” aos vários actores que dela deveriam ter tomado conhecimento antes da mesma ser tornada pública.
São já vários os responsáveis que declararam ter tomada conhecimento do “assalto” apenas através da comunicação social.
Isto é sintomático e leva-me à seguinte consideração: pois se o “assalto” foi inventado para a comunicação social – seria esta a ser utilizada para os objectivos de natureza política que atrás admiti – nada mais natural que as diversas entidades tivessem apenas tomado conhecimento do facto através da própria comunicação social.
Ou, na melhor das hipóteses, pois poderia verificar-se “o gato escondido com o rabo de fora”, apenas pouco antes do assunto começar a ser especulado na comunicação social. Isto porque os autores da farsa não poderiam arriscar a que algum responsável tivesse tempo de compreender que estava perante uma farsa e conseguisse desmontá-la, antes de começar a produzir os efeitos para que fora inventada.
Nesse sentido, seria bom saber-se o timing da chegada da informação ao Presidente da República, ao Governo e, até, ao chefe de Estado-Maior do Exército e ao chefe de Estado-Maior General das Forças Armada, comparando-o com a divulgação do “assalto” pela comunicação social. Espero que nenhum deles tenha sabido apenas pelos jornais…!

Analisemos, agora, as reacções dos diversos agentes nacionais, institucionais ou não.

Presidente da República
Terá sido o que menos mal, diria mesmo, melhor se comportou.
Acreditando nas informações recebidas, porventura desconfiado das mesmas, quis verificar no local o que acontecera.
E, naturalmente, tomou a única atitude correcta: “Há que averiguar tudo, mas tudo, doa a quem doer…!”

Governo
Aqui temos de considerar dois aspectos, enquanto o principal responsável (MNE, substituto do primeiro-ministro, que entrara em férias, há muito programadas) não se pronunciava muito, se defendia com a abertura de investigações e, naturalmente, atirava com o assunto para o ministro da tutela, este (MDN), talvez levado pelo seu passado de comentador político (pelos vistos não aprendeu nada com o principal dos comentadores, o actual PR), entrava em especulações e admitia que “as armas roubadas podiam ir parar às mãos dos terroristas”.
Ficava assim demonstrado, se é que ainda era necessário, o seu total desconhecimento da questão militar/defesa nacional. Se fosse mais conhecedor, se exigisse receber informações concretas e correctas sobre o que se passara – como era seu primeiro dever, dada a importância do cargo que ocupa – facilmente compreenderia que o material “roubado” não era minimamente apetecível para os grupos terroristas…
Quanto ao primeiro-ministro, regressado do curto período de férias, certamente já melhor informado do que efectivamente acontecera, mais uma vez esteve à altura dos acontecimentos: patrocinou uma reunião com os chefes militares e acalmou os ânimos, quanto à prossecução de investigações e às ínfimas consequências que o desaparecimento do material poderia causar na segurança e defesa nacionais.

Militares
Institucionais
Como primeiro responsável do Ramo onde tudo acontecera, o chefe do Estado-Maior do Exército, talvez à falta de melhor e mais correcta informação sobre o que se passara, talvez pressionado pelo MDN (falta saber até que ponto, mas foi essa a ideia passada para a opinião pública) começa por tomar uma decisão aparentemente absurda, até porque nada explicada: afasta do comando de cinco unidades militares os respectivos comandantes.
A forma como o faz, as hesitações e as contradições que se verificaram, em nada ajudaram a uma boa imagem da atitude do general CEME: afastamento do comando, demissão temporária, demissão definitiva? Enfim, tudo mais baralhado ainda, com a reocupação dos cargos pelos ex-demitidos…!
Esta atitude abriu portas a todas as hipóteses especulativas: afinal, contrariando toda a doutrina e prática da instituição militar, havia cinco (5) unidades responsáveis simultaneamente pela segurança de uma instalação (neste caso os paióis de Tancos)?
Ou, como alguém alertara, estava tudo muito mal contado, não houvera assalto e o problema não tinha que ver com a organização das rondas, mas sim com as responsabilidades partilhadas, ao longo de vários anos, e em rotação, da gestão dos paióis, pelas referidas cinco unidades?
Seja como for, duma ou doutra maneira, o Exército não fica nada bem na fotografia…
Por outro lado, tentando explorar a situação, de todos os lados se procura obter dividendos.
Do lado das Forças Armadas, para além de vozes singulares, são as associações sócio-profissionais, nomeadamente a AOFA, que alertam para o enorme desinvestimento, no âmbito da nefasta política praticada, pelo poder político das últimas décadas.
Naturalmente, é chamada a atenção para a deplorável situação a que chegaram as Forças Armadas, onde a redução de efectivos atingiu o limite e provocou situações anómalas que nem um simples patrulhamento atempado às instalações isoladas (onde vão os tempos em que os paióis tiveram uma força de guarnição…!) permite.
Os profundos e justos sentimentos de queixa das Forças Armadas e dos seus militares face ao poder político, no que respeita à Condição Militar (apoio à família, nomeadamente na área da saúde e na área social), onde o “roubo” do IASFA aos seus legítimos beneficiários e a usurpação da ADM, que serve para financiar “tudo e mais alguma coisa”, sobressaem nas críticas que surgem em catadupa dos militares para com os políticos, salientando-se o agravamento que se verificou nos últimos dez anos. O desvirtuamento do EMFAR, que atingiu situação desastrosa, é outra das questões que sobressaem nas críticas. A sua revisão em curso, ainda abre algumas expectativas, apesar da enorme dificuldade dos militares em acreditarem nalguma coisa que possa vir do poder político…
E a conclusão que de todo o lado se proclama é a de que o poder político tem que definir que Forças Armadas quer. E, de seguida, tem de dotar as Forças Armadas dos meios essenciais para que as mesmas possam cumprir as missões que lhes forem atribuídas.
Mas do lado dos militares, seja por razões pessoais, seja principalmente por razões de natureza política (de enquadramento na contestação à solução governativa em vigor), houve ainda outros aproveitamentos.
É por isso que vemos surgir um auto denominado Movimento das Espadas, protagonizado por três oficiais (tenentes-coronéis) na reforma e lançado e empolado pela comunicação social, que chega a falar num protesto do Exército.
Mais uma vez é o “Expresso” que inicia a mobilização de uma manifestação/protesto junto à Presidência da República (não se conhece qualquer convite a oficiais, via e-mail, redes sociais ou telefone, para a dita manifestação, ela é feita apenas através da comunicação social).
Manifestação/protesto que, face à sua enorme descredibilidade, é rapidamente anulada e transformada num dito movimento Que Portugal queremos?
Poderá perguntar-se: que papel, para que serviu, afinal, a divulgação desse Movimento das espadas?
Em meu entender, para rampa de lançamento de dois generais do Exército, ressabiados, que ansiavam por protagonizar um movimento de contestação à chefia do Exército, das Forças Armadas e, se possível, do próprio regime democrático.
O facto é que o tentaram, demitindo-se e pedindo a sua passagem à reserva, tentando nisso envolver o próprio Presidente da República, face ao enorme prestígio, consideração e popularidade que o mesmo detém, junto da população em geral e dos militares em particular.
Pensavam eles que estariam criadas as condições para que o Presidente da República “desse um murro na mesa”, assumisse a direcção autoritária do poder, protagonizando um autêntico golpe de Estado? Provavelmente, sim!
E daí os vários apelos à intervenção, as várias loas tecidas ao seu procedimento, os vários “cantos de sereia” que se fizeram ouvir.
Tiveram azar, talvez porque a sabedoria de Marcelo Rebelo de Sousa, mas certamente a sua natureza de democrata e o seu sentir patriótico, o levaram a dizer Não e a não enveredar por caminhos ínvios.
O episódio teve alguns aspectos caricatos, mas esclarecedores.
Começaram por sofrer as consequências da natureza caricata do actor principal (ten.cor. Pedro Tinoco de Faria), cujo atributo que mais esgrimiu publicamente foi a sua natureza de órfão de guerra (como o pai se deve, lá onde estiver, ter sentido incomodado por ver o filho a tentar utilizar a sua desdita de ter morrido em combate), ao mesmo tempo que omite o facto de no passado ter solicitado a sua passagem à reserva e ter ido trabalhar para a Teconforma onde pontificava Passos Coelho. Foi um fenómeno que durou dois ou três dias, sempre “puchado” pela comunicação social, até que ele deu a cara numa intervenção na televisão (SIC Notícias) e aí… pum! Acabou-se, nunca mais se ouviu falar dele…
Quanto aos generais, bem tentaram mas as suas próprias atitudes desmascararam-nos, nomeadamente junto dos seus pares.
O director de Pessoal do Exército sente-se ofendido, pelo tratamento dado pelo CEME aos “homens por quem ele é responsável”!
Como, será que só contaram p’ra você? Desde quando existe uma relação directa, de comando ou de subordinação, entre o director de Pessoal do Exército e os comandantes das unidades?
Com efeito, sabemos que cabe ao director de Pessoal superintender na gestão do pessoal, a sua distribuição pelos vários cargos, mas também sabemos que ele não está na cadeia de comando, não tem qualquer autoridade funcional, muito menos de comando sobre todos os militares que não estejam colocados no seu departamento próprio. Isto é, apenas sobre os militares que servem na Direcção de Pessoal do Exército.
Que os civis, leigos no conhecimento sobre as regras da organização e estrutura militares, não o saibam, engulam essas patranhas…! Agora, no meio militar… com franqueza…!
Quanto ao responsável operacional do Exército, esse sim na cadeia de comando da estrutura militar, bem…
Disse demitir-se porque “se terá quebrado o vínculo sagrado entre comandantes e subordinados”. Acrescentou que “ficara indignado pela forma como o CEME demitiu na praça pública, e em horário nobre, os cinco comandantes”.
Pois bem, para além de ele e o seu companheiro de jornada (director do Pessoal) terem procedido de igual modo, ao anunciarem a sua decisão de se demitirem (com a agravante de na reunião do Conselho Superior do Exército, entretanto realizado, terem garantido nada irem fazer, esperando algum tempo pelo “andar da carruagem”), há que perguntar se ele, como elemento número dois na responsabilidade operacional do Exército, assumiu alguma responsabilidade sobre o desaparecimento do material de guerra em Tancos. Que se saiba, nada…!
Estaremos aqui perante a necessidade de camuflar as suas próprias responsabilidades no “caso dos Comandos”, prestes a ser julgado nos tribunais?
Nomeadamente, que diz ele à acusação que lhe é feita de que, tendo combinado com o comandante da unidade de Comandos não interromper o curso, (dado o pouco tempo que faltava), mas apenas baixar o nível de dificuldade do mesmo e do pedido de esforço a exigir aos instruendos, ter declarado à polícia investigadora que “dera ordens claras e determinantes para que o curso fosse interrompido e terminado imediatamente”, ordens essas não cumpridas pelo comandante do Comandos? Dando origem ao levantamento de um processo de insubordinação ao referido coronel, comandante dos Comandos?
Diz-se que a questão é “palavra de general contra palavra de coronel”, mas como no Exército, pelo menos no meu tempo, “a palavra de oficial faz fé” (seja general ou alferes) e o general e o coronel são ambos oficiais, vamos ver como isto acaba! E vamos ver quem “quebrou o vínculo sagrado entre comandantes e subordinados…!
Confesso não estar nada tranquilo quanto ao futuro julgamento desse caso dos Comandos. Tanto quanto julgo saber, a acusação é extraordinariamente forte e, a provar-se, não deixará nada bem visto o próprio Exército!
Como militar, ainda que na situação de reforma, não gostaria nada de ver o Exército mais desprestigiado. Portugal precisa de umas Forças Armadas prestigiadas, coesas e patriotas que façam jus ao facto de “Portugal ser um País de Soldados” e possam, noutra qualquer altura que se deseja desnecessária, assumir ser, como o foram em 25 de Abril, através do MFA, o sustentáculo e o agente último da regeneração e dignificação da Pátria Portuguesa.

Oposição (ou oposições).
Seja na hipótese de ter(em) estado na origem da criação do “assalto” ou no simples obter conhecimento de que a farsa ia ter lugar (como já referi, admito as duas hipóteses), a sua acção esteve de acordo com o princípio de que “é preciso, acima de tudo, correr com estes tipos do Governo! Acabar com esta usurpação do nosso direito de governar! Nós até ganhámos as eleições, eles é que fizeram um golpe…! Se o diabo não vem, temos de o inventar, convencer as pessoas que ele está a bater-nos à porta…”
E foi um ver se te avias…!
Sem escrúpulos, escondendo os seus actos e as suas responsabilidades no “estado a que isto chegou”, é vê-los a gritar “aqui d’el-rei, é preciso obrigar os ministros a demitirem-se!” (Há que aproveitar, terão pensado, o rescaldo dos incêndios não acabou, eles estão fragilizados, há que dar-lhes com força!)
Para isso, como também já referi, lançaram mão da comunicação social que dominam e da alcateia de comentadores (assalariados ou não, mas todos reverentes) que defendem o velho princípio de que “uma mentira repetida acaba por transformar-se em verdade”.
Pessoalmente, como capitão de Abril, como cidadão português, continuo a não conseguir conformar-me com tanta desfaçatez, tanta desvergonha, tanto despudor, tanta falta de verticalidade, de ética e de honestidade, tanto cinismo e tanta falta de coluna vertebral, por parte de muitos (mas mesmo muitos) portugueses, sejam políticos, comentadores ou…

Por fim, o povo, a população, os cidadãos comuns, permanentemente bombardeados e manipulados.
Que reacção?
Como sempre, acorda sobressaltado, entra em pânico, sente-se inseguro, acredita cada vez menos em quem o dirige!
Depois, bem, depois começa a habituar-se, a ver que já viu esse filme muitas vezes, a desinteressar-se e a deixar o campo livre para “os outros”, abdicando do seu maior direito que é o de participar nas decisões sobre o futuro do seu País… A abrir caminho para um qualquer populista, transformado em D. Sebastião…!
Acredito eu nisto?
Acredito que há quem queira que assim seja, quem tente colaborar e até forçar que assim aconteça!
Mas também acredito que a maioria continue a desejar e a lutar por um Portugal livre, democrático, justo e em paz! E eu estou com eles!
Por mim, continuo nessa luta, pela consolidação dos valores de Abril!
Por isso, voltando a repetir o Presidente da República: “Há que esclarecer tudo! Doa a quem doer, indo até ao fiml!”

Lisboa, (31 de Julho de 2017) – versão emendada em 02.08.2017

Vasco Lourenço